O médico Eduardo de Rose, integrante da Wada (Agência Mundial Antidoping), afirmou neste sábado que a farmácia que manipulou o suplemento de Cesar Cielo não assumiu ter cometido erro, apenas deixou aberta a possibilidade de que uma contaminação poderia ocorrer.
De Rose presidiu o painel da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos que avaliou o caso do campeão olímpico e outros três nadadores. Eles receberam apenas uma advertência por terem sido flagrados com furosemida em exame antidoping no Troféu Maria Lenk, em maio.
Na sexta, após o caso ser divulgado, Sandra Soldan, diretora-adjunta de doping da entidade, disse que o painel tinha certeza da contaminação e que a farmácia de Santa Bárbara d'Oeste havia assumido a falha.
"O que a farmácia diz é que contaminação cruzada é possível de acontecer e que ela não pode excluir que tenha acontecido isso, embora não reconheça que aconteceu. Nós entendemos que essa falha, esse acidente ocorreu na farmácia", afirmou De Rose.
Segundo o médico, a farmácia detalhou as substâncias que foram manipuladas antes do suplemento de Cielo. Uma delas continha furosemida.
"A farmácia não declara formalmente o erro, mas diz que contaminações cruzadas são possíveis e que não pode excluir a possibilidade."
De Rose afirma que o painel levou em conta o fato de Cielo sempre comprar suplementos dessa farmácia, laudo do Ladetec que mostrou contaminação da substância e a declaração do estabelecimento que diz que "contaminações são possíveis" para optar pela não-suspensão dos atletas.
"Por isso, podemos dizer que não houve culpa nem negligência. Seria diferente se eles tivessem comprado de um local em que não estão acostumados ou usado um medicamento novo sem perguntar nada a a ninguém", afirmou ele.
A farmácia Anna Terra afirma que não errou ao manipular suplemento de Cielo. E diz que no texto enviado à CBDA escreveu "a contaminação cruzada por suspensão de partículas é uma excepcionalidade, mas que não pode ser descartada. Sendo assim, é impossível dizer se houve contaminação".