A presidente Dilma Rousseff declarou nesta quarta-feira que é urgente encerrar as negociações do Mercosul com a União Europeia (UE), embora também tenha destacado que o bloco sul-americano deve intensificar a relação Sul-Sul. Em seu discurso na 41ª Cúpula do Mercosul, realizado nos arredores de Assunção, a governante destacou o bom momento das economias dos países que integram o grupo. Após prever um futuro positivo para o Mercosul e toda região, a presidente também retomou as conquistas do bloco no comércio, destacando que, em seus 20 anos de existência, o valor registrado em trocas comerciais passou de US$ 5 bilhões para US$ 45 bilhões no ano passado, apesar de ser ainda uma união aduaneira imperfeita.

A presidente propôs ao Mercosul o aumento da proteção comercial contra o aumento de importações, numa tentativa de conter a entrada de produtos baratos da Europa, Ásia e Estados Unidos em uma região de rápida expansão. A proposta, levada pelo Brasil à Comissão de Comércio do bloco que também é formado por Argentina, Paraguai e Uruguai, será discutidada nas próximas semanas e permitirá que cada país eleve individualmente suas tributos de importação de bens não pertencentes à zona, de acordo com uma autoridade do governo brasileiro.

"Nós, países do Mercosul, devemos estar bem atentos ao que se passa no mundo. Neste momento de excepcional crescimento da região, identificamos que alguns paerceiros de fora buscam vender-nos produtos que não encontram mercado no mundo rico", disse Dilma, em sua primeira participação numa cúpula do Mercosul desde que tomou posse em janeiro. Chanceleres e ministros de Comércio e Economia do bloco, reunidos perto de Assunção desde terça-feira, expressaram preocupação pela perda de competitividade da economia regional por uma apreciação de suas moedas, o que estimula as importações.

Dilma disse que "precisamos avançar no desenvolvimento de mecanismos comunitários que venham reequilibrar a situação" e pediu que a Comissão de Comércio do bloco aprove a proposta do Brasil até dezembro, quando chegará ao fim o semestre de presidência uruguaia no Mercosul, que começa a partir da atual cúpula. As economias do Mercosul voltarão a crescer este ano acima da média mundial, com taxas que oscilarão entre 4%, no caso do Brasil, até 7% ou mais, no caso da Argentina - um nível mais moderado em comparação com o crescimento de 2010.

"Os países em desenvolvimento na América Latina, neste contexto, têm um desepenho muito mais dinâmico, mas muitos de nós têm sofrido as consequências do excesso de liquidez produzido pelos países ricos, que compromete nossa competitividade e tem sido o principal fator responsável pelas pressões inflacionárias existentes", disse Dilma. Além de Dilma, também participaram da reunião do Mercosul em Paraguai os chefes de Estado de Equador e Uruguai. A presidente argentina, Cristina Kirchner, não viajou por recomendação médica.

O presidente do Uruguai, José Mujica, que falou depois de Dilma, pediu que as companhias brasileiras, as maior fortes da região, cooperem para ajudar a desenvolver seus sócios. "O Brasil não tem culpa de ser tão grande nem nós temos culpa de sermos tão pequenos. Isso se arruma multiplicando os atores", disse Mujica. Dilma defendeu que as assimetrias entre os sócios sejam enfrentadas, "realizando projetos de grande relevância". "Precisamos promover maior integração de nossas cadeias produtivas, estimulando parcerias entre as empresas da região, sobretudo as de pequeno e médio porte", afirmou a presidente.