Cerca de 200 pessoas se reuniram na tarde desta segunda-feira na Praça da Sé, centro da capital paulista, para um protesto em favor dos bombeiros do Rio de Janeiro, que estão em litígio com o governo local por melhores salários. Na semana passada, parte dos bombeiros se aquartelou, no episódio que deixou 439 membros da corporação detidos. A manifestação foi organizada pela Força Sindical e pela União Geral dos Trabalhadores (UGT). Apesar de o local da manifestação ficar a apenas 100 m de um quartel, a presença dos bombeiros paulistas não foi significativa.

Confira o salário dos bombeiros em cada Estado do País

De acordo com Antonio Carlos Alves, presidente da Associação Desportiva dos Bombeiros do Estado de São Paulo, a situação dos paulistas não é muito melhor do que a dos colegas do Rio de Janeiro. "A nossa data-base é em março, mas até agora não houve acordo. Não podemos ficar de chapéu na mão. O governo vai nos levando em banho-maria. É gratificação daqui e dali, mas não há aumento de salário. No fim, quando nos aposentamos, perde-se tudo. Fica só o salário", disse.

O deputado federal Ivan Valente (Psol-SP), afirmou que tratar os bombeiros do Rio de Janeiro como vândalos irá custar caro ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). "Ele irá pagar caro pelo resto da vida, politicamente. Reunir 30 mil pessoas no Rio de Janeiro, em uma manifestação, mostra que há solidariedade popular e mostra força dos bombeiros", afirmou. Na semana passada, logo após a rebelião dos bombeiros, o governador os qualificou como "vândalos".

O deputado estadual paulista Major Olímpio (PDT) fez um discurso veemente contra o governador do Rio, Sérgio Cabral. "Nós estamos aqui para prostestar contra esse bárbaro do Sérgio Cabral, que não tem vergonha na cara. Quem massacra os bombeiros do Rio de Janeiro tem comportamento de moleque", disse.

Bombeiros na cadeia
Cerca de 2 mil bombeiros que protestavam por melhores salários invadiram o quartel do Comando Geral dos Bombeiros, na praça da República, em 3 de junho. O Batalhão de Choque da Polícia Militar invadiu o local e prendeu 439 bombeiros. Eles respondem pelos crimes de motim, dano ao aparelhamento militar (carros e mobiliário), dano a estabelecimento (quartel) e inutilização do meio destinado a salvamentos (impedir que carros saíssem para socorro).

Os bombeiros prosseguem com os protestos, e acamparam em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) até que os detidos começaram a ser libertados, em 10 de junho. Eles não aceitam a proposta de reajuste de 5,58% oferecida pelo Estado e pedem ainda a anistia geral (criminal e administrativa) dos bombeiros presos.

A situação vinha se tornando tensa desde maio, quando uma greve de guarda-vidas, que durou 17 dias, levou cinco militares à prisão. A paralisação acabou sendo encerrada por determinação da Justiça. Os bombeiros alegavam não ter recebido contraproposta do Estado sobre a reivindicação de aumento do piso mínimo para R$ 2 mil. Os profissionais fluminenses recebem cerca de R$ 950 por mês.