O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) denunciou à Justiça, na noite desta sexta-feira, os 439 Bombeiros Militares presos no último sábado durante a manifestação que culminou com a invasão do Quartel Central da corporação, no centro do Rio.
A denúncia, por motim e dano, foi oferecida pelos promotores Leonardo Cuña e Isabella Pena Lucas. Além dos bombeiros, dois policiais militares que também estavam na manifestação foram denunciados.
Após a Justiça decidir pela libertação dos bombeiros nesta sexta-feira, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), disse que para o Executivo fluminense o conflito envolvendo militares do Corpo de Bombeiros é assunto encerrado. No entanto, segundo ele, do ponto de vista administrativo, o comando da corporação abrirá um procedimento disciplinar para avaliar caso a caso.
Com informações do O Dia.
Bombeiros na cadeia
Cerca de 2 mil bombeiros que protestavam por melhores salários invadiram o quartel do Comando-Geral dos Bombeiros, na praça da República, em 3 de junho. Os manifestantes chegaram a usar mulheres como escudo humano para impedir a entrada da cavalaria da Polícia Militar no local. No entanto, o Batalhão de Choque da Polícia Militar (Bope) invadiu o quartel por volta das 6h do dia seguinte e prendeu 439 bombeiros.
Os integrantes do protesto responderão pelos crimes de motim, dano ao aparelhamento militar (carros e mobiliário), dano a estabelecimento (quartel) e inutilização do meio destinado a salvamentos (impedir que carros saíssem para socorro). Dados oficiais apontam que os manifestantes danificaram viaturas, arrombaram portas do quartel e saquearam alimentos.
A situação vinha se tornando mais tensa desde maio, quando uma greve de guarda-vidas, que durou 17 dias, levou cinco militares à prisão. A paralisação acabou sendo encerrada por determinação da Justiça. Os bombeiros alegavam não ter recebido contraproposta do Estado sobre a reivindicação de aumento do piso mínimo para R$ 2 mil. Segundo eles, os profissionais recebem cerca de R$ 950 por mês.