A presidente Dilma sondou na quinta-feira a ministra da Pesca, Ideli Salvatti (PT-SC), para a Secretaria de Relações Institucionais.
Há três dias, o nome de Ideli é apresentado a líderes do Congresso como forma de testar sua viabilidade. As duas viajaram juntas ontem a Santa Catarina e a ministra foi aconselhada a aglutinar apoio a seu nome.
Dilma não formalizou o convite. Explicou que ainda estuda outras opções para a vaga de articulador político e demonstrou estar preocupada com a repercussão negativa do nome de Ideli entre os aliados e, sobretudo, na bancada do PT na Câmara.
Está prevista para acontecer nesta sexta-feira uma conversa entre a presidente e o titular da secretaria, Luiz Sérgio. Apesar de querer continuar na pasta, Sérgio comentou com interlocutores estar disposto a colocar o cargo à disposição de Dilma. Está incomodado com a "fritura" a qual foi submetido nos últimos dias.
Durante a conversa, Dilma explicou que o escolhido também deverá apaziguar o PT na Câmara, atualmente em pé de guerra entre os grupos do presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS) e do líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), este também cotado para o ministério.
Ontem, com o nome de Ideli ganhando fôlego, os dois grupos tentaram um acordo para demonstrar unidade após seis meses de desavenças, mas a costura de uma proposta pela qual Vaccarezza seria o candidato à vaga irritou Dilma.
Diante dos rumores de que já teria deixado o cargo, Luiz Sérgio negou ter preparado uma carta de demissão. Em seu perfil no microblog Twitter, escreveu: "Há hora de falar e hora de calar. Agora é hora de calar".
CAMPANHA
Vaccarezza passou o dia de ontem em "campanha" e chegou a se reunir até com os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Humberto Costa (PT-PE) e Gim Argello (PTB-DF).
"Nós vimos com bons olhos [o nome de Vaccarezza]", disse Renan depois.
Outros nomes cotados para assumir as Relações Institucionais, que têm interlocução com a Câmara, foram os dos deputados petistas Pepe Vargas (RS), Arlindo Chinaglia (SP) e Henrique Fontana (RS).