O vereador Théo Fortes (PTdoB) usou a tribuna – após o depoimento do diretor do Sindpetro, Antônio Freitas sobre as causas do acidente da Braskem – para destacar que, em sua visão, houve descuido por parte da indústria em relação as duas explosões ocorridas no final do mês passado.

Conforme antecipou o CadaMinuto, o Sindpetro destaca que o laudo da Braskem traz como causa o excesso de uma substância tricloramina. Fortes frisa que uma vez que houve o primeiro acidente, com vazamento, o segundo poderia ter sido evitado com o isolamento da planta e da produção da Braskem.

“Houve descuido sim. Se já se suspeitava da causa da primeira explosão e sabendo que a substância é tão perigosa, poderia se ter evitado a segunda explosão”, colocou. Fortes ainda questionou se a empresa não possui mecanismos suficientes para medir temperatura e pressão no processo da produção, envolvendo a tricloramina que possui explosão espontânea.

“Poderia ter sido evitado o segundo acidente, com lesões corporais graves. Deveria ser isolado e não foi”, destacou ainda Théo Fortes. O relator da CEI, Ricardo Barbosa (PSOL), acompanhou a opinião de Fortes e frisou que agora – com as informações colhidas inicialmente – é que as investigações “precisam ir a fundo”.

“A questão que estamos tratando aqui é o acúmulo em quantidade do problema e agora discutimos a qualidade. Teremos que ir a fundo nisto, porque envolve questões de trabalho, precarização, o lucro exorbitante versus o benefício para a sociedade. Envolve fatores econômicos e sociais. A CEI precisa avançar independente do que pode ser feito por outros órgãos que também acompanham o caso”, salientou Ricardo Barbosa.

Ele ainda complementa: “Nós devemos chamar os representantes da Braskem para esta CEI. Não pode mais se dá em outra visita à empresa. Precisamos trazer os representantes para fazer perguntas que não couberam no momento da visita. Temos que ouvir os atores deste processo, com o Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Estadual e outros órgãos que estejam envolvidos”.

A CEI da Braskem tem 120 dias para emitir o relatório final. O prazo pode ser prorrogado por mais 60 dias, conforme o regimento interno da Casa de Mário Guimarães.