Desde que Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, melhor amigo do goleiro Bruno Fernandes de Souza, foi preso acusado de envolvimento na morte no desaparecimento e morte de Eliza Samudio, há um ano, a família enfrente dificuldades financeiras graves, disse ao Terra a mãe de Macarrão. Luciene Ferreira Romão reclama que eles ainda sofrem com a repercussão do caso e que o marido desempregado não consegue trabalho de motorista por conta do sobrenome.
"As pessoas ligam a imagem do Macarrão à do pai. Desde que estourou o caso do Bruno, nós passamos essa dificuldade. Com muito custo ele conseguiu um emprego no ano passado, mas hoje está desempregado de novo", afirmou. Segundo ela, a família esta passando por muitas dificuldades, pois o marido era quem sustentava os filhos.
Luciene não quis entrar em detalhes e pediu que o nome do marido não fosse divulgado, segundo ela para evitar mais problemas para a família. Mas ela disse também que ficou surpresa ao ser informada pelo Terra da transferência do filho para a ala onde os presos condenados por abusos sexuais cumprem pena na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG). A mudança, confirmada pelo advogado de Macarrão, Wasley César Vasconcelos, teria acontecido há duas semanas porque alguns detentos estariam maltratando e pressionando Macarrão para que ele assuma a morte de Eliza Samudio, livrando, assim, o goleiro Bruno de uma possível condenação.
"Estava tudo bem na medida do possível, ele está tranquilo, não disse nada a respeito disso", afirmou, acrescentando que sempre o visita na cadeia. Segundo Vasconcelos, Macarrão teria sido transferido porque alguns detentos passaram, devido a uma provável simpatia a Bruno, a chamá-lo de "covarde". Eles teriam pedido a ele que assumisse o crime por que "Bruno tem profissão e ajudaria a tirá-lo da cadeia". O advogado informou que vai tentar reverter a determinação do comando do presídio. "Estamos tomando providências, ele jamais poderia estar nesta ala", afirmou.
No dia 17 de dezembro do ano passado Macarrão; Bruno; o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola; e o primo de Bruno, Sérgio Rosa Sales; foram pronunciados pela juíza Marixa Fabiane Lopes, do Tribunal de Júri de Contagem (MG). Eles irão a júri popular por homicídio triplamente qualificado. Para a polícia e o Ministério Público, Macarrão e o adolescente J., 17 anos na época, teriam sequestrado Eliza e o filho dela, Bruninho, em um hotel do Rio de Janeiro e os levado para o sítio do goleiro em Esmeraldas (MG).
De acordo com o inquérito, Macarrão teria, além de planejado o crime, auxiliado Bola a executar Eliza na casa do ex-policial em Vespasiano. O filho da ex-amante de Bruno foi localizado pela polícia 15 dias depois. Ele era cuidado por Bruno e pela ex-mulher dele, Dayanne.
O caso Bruno
Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.
No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.
No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.