França e Grã-Bretanha usaram pela primeira vez neste sábado helicópteros de combate na Líbia para atacar o Exército do coronel Muamar Kadhafi, uma semana depois de Londres ter anunciado uma segunda fase de incursões da Otan no país.
"Helicópteros de ataque sob o comando da Otan foram utilizados pela primeira vez no dia 4 de junho, em operações militares sobre a Líbia, dentro da operação 'Protetor Unificado'", revelou a Aliança Atlântica.
"Vinte objetivos atacados, incluindo 15 veículos militares, foram destruídos", afirmou à AFP o porta-voz do Estado-Maior francês, o coronel Thierry Burkhard.
O ministério da Defesa britânico informou que helicópteros Apache, que também são usados no Iraque e Afeganistão, destruíram um radar e um posto de controle militar perto de Brega, uma cidade costeira do leste da Líbia.
"Este êxito demonstra as possibilidades únicas que o recurso de helicópteros de combate oferece", afirmou em um comunicado o general Charles Bouchard, comandante-em-chefe das operações da Otan na Líbia.
Os helicópteros permitem à Otan dispor de uma "flexibilidade suplementar para localizar e combater as forças pró-Kadhafi que atacam deliberadamente civis e tentam se esconder em zonas habitadas", afirma o texto.
"Continuaremos a utilizar estes meios quando e onde for necessário, com a mesma precisão que executamos todas as nossas missões", disse o general canadense. O objetivo é "aumentar a pressão sobre as forças pró-Kadhafi".
No fim de maio, o general Bouchard havia justificado o uso de helicópteros pela necessidade de ter "uma capacidade adicional para atacar veículos mais difíceis de observar de um avião".
A França enviou quatro helicópteros Tigre à Líbia. Além disso, a bordo do porta-helicópteros francês "Tonnerre" há 12 aparelhos do tipo Gazelle, mais antigos e menos sofisticados.
Londres anunciou no fim de maio o envio de quatro helicópteros Apache para o "HMS Ocean", um porta-helicópteros posicionado nas costas do norte da África.
A resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU não autoriza o envio de tropas de ocupação à Líbia, apenas a utilização dos meios necessários para impedir que as forças de Kadhafi ataquem os civis.
No campo diplomático, os rebeldes tentam obter maior reconhecimento internacional.
A China anunciou na sexta-feira que seu embaixador em Doha se reuniu nos últimos dias com o presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT), que representa os rebeldes.
O enviado especial do presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, viajará na segunda-feira à Líbia para se reunir com representantes da oposição e de outras forças políticas em Benghazi, capital da insurreição.
China e Rússia, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, optaram em março por não vetar a resolução que permitiu o início dos bombardeios na Líbia.
Nos Estados Unidos, a Câmara de Representantes aprovouma resolução que exige ao presidente Barack Obama uma explicação sobre a decisão de intervir na Líbia.