O presidente do Banco Central mexicano e candidato ao cargo de diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Agustín Carstens, afirmou nesta quarta-feira em Brasília que sua candidatura é viável, apesar de não representar um país europeu. A ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, é a favorita à sucessão de seu compatriota Dominique Strauss-Kahn, depois que ele renunciou ao cargo por conta da acusação de tentativa de estupro em Nova York.

Dois dias depois da visita da francesa ao Brasil, Carstens fez um apelo ao governo brasileiro para que escolha um representante da América Latina para o cargo. “Se não tivesse possibilidades para minha candidatura não estaria fazendo esse discurso hoje. Penso que tenho méritos, habilidades e experiência para ser diretor gerente”, afirmou o mexicano após se encontrar com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Ele disse que muitos países enxergam sua candidatura com “simpatia”, mas admitiu que não há nenhum compromisso de voto a seu favor. Carstens argumentou também que muitos governantes aguardam a apresentação de todos os candidatos antes de se pronunciarem. Para o mexicano, as nações que já anunciaram voto a favor de Lagarde, como os Estados Unidos, tomaram uma atitude precipitada. O prazo para inscrições termina em 10 de junho e, em vinte dias, a escolha será anunciada.

Assim como Lagarde, Carstens disse que defenderá a aceleração das reformas no Fundo e a maior participação dos emergentes nos cargos alto escalão do FMI. “É importante que América Latina tenha maior presença e maior voz. Espero que a instituição tenha uma mente aberta para considerar um mexicano, ainda que a Europa esteja em crise. Temos capacidade e experiência para combater a crise da Europa e no norte da África”, declarou.

Mantega concordou, durante entrevista coletiva, sobre a falta de representação dos emergentes em postos de grande envergadura no FMI, mas negou que o governo brasileiro esteja negociando, em sigilo, algum cargo no alto escalão da instituição. “Não há nenhuma combinação reservada que esteja sendo feita”, disse.

Brasil – O ministro da Fazenda afirmou que a candidatura de um mexicano contribui para a discussão de propostas. “É importante a colocação da candidatura de um país emergente porque rompe a regra antiga do FMI, que vem sendo dirigido só para representantes europeus. Os países emergentes também são pouco representados nas 24 chefias e departamentos no fundo. Não há nenhum brasileiro e nenhum mexicano na direção desses departamentos”, reclamou.

Mantega repetiu o discurso de que o governo brasileiro escolherá seu candidato com base em sua qualificação técnica e experiência, além do compromisso com a continuação de reformas no FMI. Ele disse ainda que o Brasil não tem posição fechada sobre o apoio a nenhuma candidatura.

Pedido – O presidente do México, Felipe Calderón, telefonou na noite desta terça-feira para a presidente Dilma Rousseff na tentativa de convencê-la a apoiar a candidatura de Carstens. Na conversa de cinco minutos com Calderón, Dilma disse que aguardará a composição de todos os candidatos ao cargo antes de tomar qualquer decisão. A presidente disse, por outro lado, que avalia como positiva a iniciativa da candidatura mexicana por permitir maior debate de ideias e propostas. Ele assegurou que sua escolha se baseará no mérito e na qualificação, e não de nacionalidade.