O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), informou nesta terça-feira que mandou incluir na exposição do chamado ‘”Túnel do Tempo” do Senado – um conjunto de 16 painéis nos quais a instituição se propõe a retratar os principais fatos da história do Congresso Nacional, desde a instalação do Senado em 1822 – o impeachment, de1992, do ex-presidente Fernando Collor de Mello, agora senador pelo PTB de Alagoas. O fato havia sido suprimido na reinauguralção da exposição.
Na segunda-feira, Sarney classificou o impeachment como “um acidente” que não deveria ter ocorrido.
- Olha, eu não posso censurar os historiadores encarregados de fazer o painel. Talvez esse episódio seja apenas um acidente que não devia ter acontecido na História do Brasil. Mas não é tão marcante como foram os fatos que aqui estão contados, que foram os que construíram a história e não os que, de certo modo, não deviam ter acontecido. O que vale é que nós temos uma Constituição e sempre nos organizamos em torno da lei – justificou Sarney em entrevista.
Mais tarde, em conversa com o GLOBO, Sarney acrescentou:
- O Golpe de 64 está lá, porque resultou numa ditadura de 20 anos, mas a deposição de Jango (o ex-presidente João Goulart) não está lá. Se fôssemos mencionar tudo, não teríamos espaço suficiente.
Nas versões anteriores da exposição, o impeachment de Collor tinha destaque – o primeiro presidente da República afastado do cargo por determinação do Congresso Nacional. Eram mostradas imagens das passeatas dos estudantes, os caras pintadas, pelo impeachment, acompanhadas de informações sobre a decisão tomada no segundo semestre de 1992.
A revitalização do Túnel do Tempo – uma galeria que fica no túnel que liga o plenário aos gabinetes dos senadores – foi organizada pela Subsecretaria de Criação e Marketing, comandada pela servidora Elga Mara Teixeira Lopes. Segundo Elga, a partir da Constituição de 1988, a opção dos historiadores foi destacar os fatos marcantes da atividade legislativa: “O foco da exposição é mostrar a produção legislativa do Congresso Nacional. A discussão e aprovação das leis é a essência do que faz o Parlamento como poder republicano”.
