O Corpo de Bombeiros paralisou neste sábado a retirada da embarcação que afundou no lago Paranoá, em Brasília (DF), no último dia 22. Nove pessoas morreram no naufrágio.
Segundo o coronel Marco Negrão, responsável pela operação, os bombeiros conseguiram mover a embarcação por cem metros -- ela está agora a apenas 70 metros da margem do lago, e mais da metade já está acima da superfície.
A expectativa do Corpo de Bombeiros é levar o barco o mais próximo possível da margem e então utilizar guindastes para retirá-lo da água. Agora, eles tentam diminuir o peso quebrando janelas e retirando objetos.
Isso foi necessário porque os dois balões de flutuação --utilizados para içar o navio, mas que foram danificados por uma lancha que bateu contra o barco na noite de sexta-feira (27)-- não foram capazes de fazê-lo emergir totalmente.
Os trabalhos de retirada do barco continuarão a partir das 8h da próxima segunda-feira (30).
A retirada do barco do fundo do lago é fundamental para as investigações da Polícia Civil, que terá o apoio da Marinha para descobrir as possíveis causas do acidente. A superlotação é uma das hipóteses que estão sendo investigadas.
VÍTIMAS
Ao todo, nove pessoas morreram em decorrência do naufrágio. A última vítima retirada do lago Paranoá, o garçom Hadnilton José de Oliveira, 31, foi achada na quarta-feira (25).
A mãe de Hadnilton, Herculana Gonçalves Lisboa, 53, havia afirmado, no início da semana, que estava "esperançosa" com relação ao encontro do filho. A família não quis dar declarações na manhã de hoje.
Segundo Herculana, Hadnilton trabalhava havia três anos no AV Buffet, que fazia a festa no barco. Ele estava na comemoração como convidado e, segundo a mãe dele, era separado, tinha um filho de nove anos, gostava do trabalho e sabia nadar.
Hadilton era voluntário na ONG CNDDH (Comissão Nacional de Defesa dos Direitos Humanos) que, segundo descrição no site sobre a organização, visa "promover o desenvolvimento e o respeito à vida, buscando reduzir os níveis de pobreza, combater a fome e a miséria". A Folha não conseguiu contato com a ONG.
Um bebê de sete meses, primeira vítima confirmada da tragédia, foi identificado como João Antonio Fernandes Rocha. Resgatado ainda com vida, não resistiu e morreu.
O corpo da mãe do bebê, Valdelice de Souza Fernandes, 36, também foi localizado.
Outra vítima confirmada foi Flávia Daniela Pereira Dornel, 22, irmã da organizadora da festa que acontecia na embarcação.
Já foram identificados os corpos de Ester Araújo de Oliveira, 10; Vicente Carneiro de Sousa Neto, 36; Paulo de Mello, 39; Adail de Souza Borges, 45; e Robinson Araújo de Oliveira, 29.
INVESTIGAÇÃO
O "Imagination" havia partido de um clube e passava por outros recolhendo passageiros para uma festa. Ele enfrentou problemas quando passava próximo da ponte Juscelino Kubitschek.
De acordo com o relato de sobreviventes, o barco virou após uma lancha passar muito perto e provocar ondulações, mas as circunstâncias do acidente ainda estão sendo investigadas. O garçom Everaldo Sales da Silva, 43, negou que a lancha tenha provocado ondulações.
"Já ouvimos relatos de colisão, de problema, de explosão, mas isso é prematuro. Só teremos certeza com a perícia", afirmou o delegado titular do 10º DP, Adival Cardoso de Matos, que investiga o caso.
O comandante do barco, Airton da Silva Maciel, era habilitado para a função. Ele e o proprietário da embarcação foram ouvidos pela Polícia Civil e, segundo o delegado, afirmaram que o barco era legalizado.
Passageiros relataram que ninguém usava coletes salva-vidas. O comandante afirmou que foram entregues coletes assim que o problema começou, mas o barco submergiu muito rápido, o que teria dificultado a distribuição.