A versão preliminar de um relatório independente coloca em dúvida a quantidade de vítimas fatais e de desabrigados provocada pelo devastador terremoto que atingiu o Haiti em janeiro de 2010.
Com base em dados coletados durante 29 dias de janeiro, o relatório destaca que houve menos mortos do que o balanço anunciado oficialmente, e que muitos dos que hoje vivem nos acampamentos na verdade não perderam suas casas no terremoto.
O estudo independente ainda não foi publicado, mas usa dados de uma pesquisa realizada pela USAID, a agência de ajuda externa dos Estados Unidos. "O número de vítimas fatais do terremoto é estimado entre 46.190 e 84.961, aproximadamente 2,2% da população", indica o texto. Esta cifra é muito inferior ao número oficial mais aceito, que aponta 220 mil mortos.
O relatório, com data de 13 de maio - ao qual a AFP teve acesso -, questiona também os números aferidos pelas Nações Unidas, que afirmam que 680 mil pessoas foram desabrigadas pelo terremoto. O estudo mostra que entre 5% e 19% deste total foi morar na rua porque sua casa foi destruída pelo sismo.
Mark Toner, porta-voz do departamento de Estado (que controla a USAID), confirmou para a AFP que a agência montou seu relatório com a ajuda do escritório LTL Strategies, com sede em Washington. Segundo Toner, havia "incoerências" no rascunho do projeto. "Estamos examinando estas incoerências com a LTL Strategies para garantirmos que a informação que vamos divulgar é exata", explicou.
Um funcionário do gabinete do primeiro-ministro haitiano disse que "os números apresentados pelas autoridades do Haiti se baseiam nos relatórios das prefeituras das regiões afetadas pelo terremoto, e foram obtidos nos registros da companhia que recolheu os corpos".