Unidade foi a palavra comum aos discursos das lideranças do PSDB na convenção do partido realizada neste sábado (28), em Brasília. A união foi ressaltada depois de um processo de negociação em busca de uma solução para as disputas internas na sigla. O ex-governador de São Paulo José Serra e o senador Aécio Neves (MG) chegaram ao evento juntos, depois de ficar decidido que o ex-governador de São Paulo presidiria o Conselho Político do partido.
Serra mereceu uma menção elogiosa no discurso de Aécio na convenção. O ex-governador de Minas Gerais classificou Serra como "líder permanente do partido". E destacou a união do partido. "Instigaram rupturas, disseram que PSDB colocaria projetos individuais à frente de nossa responsabilidade com o Brasil. Mas amanhã os brasileiros vão acordar sabendo que mais do que nunca o PSDB está unido e pronto para enfrentar os desafios que terá pela frente", disse um dos aspirantes à candidatura presidencial pelo partido em 2014.
A convenção reencaminhou Sérgio Guerra à presidência da Executiva Nacional do partido, tendo como 1º vice-presidente Alberto Goldman. O cargo de secretário-geral ficou com o deputado mineiro Rodrigo de Castro, ligado ao grupo de Aécio Neves. O senador Tasso Jereissati (CE) ficou no comando do Instituto Teotônio Vilela, cargo que era cobiçado por Serra.
Serra, candidato derrotado à Presidência da República em 2010, iniciou seu discurso agradecendo o trabalho da militância durante as eleições. "Eleição a gente perde e a gente ganha. Só não se pode perder caráter, personalidade e princípios", destacou, para em seguida falar de união como arma de fortalecimento da oposição. "Temos que afastar a arma do nosso adversário que é a mentira ao nosso respeito e a intriga. A intriga nos enfraquece e fortalece o adversário."
O ex-governador paulista não poupou críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff. "Aquilo que se esperava de pior está cada vez mais acontecendo. A ocupante do governo cada vez governa menos e aquele que não foi eleito governa cada vez mais. Aquele que deixou uma herança maldita, a herança maldita do governo lula. A inflação, as estradas esburacadas, a falta de aeroportos. Esta é a herança, a herança da falta de saneamento, de escândalos que, de novo, vão tirando o PT do noticiário político ao policial", disse, referindo-se à prisão do vice-prefeito de Campinas (SP), o petista Demétrio Vilagra, suspeito de corrupção.
"Este é o Brasil do engano. Temos um governo negligente, ineficiente, omisso e incompetente e que agora, de novo, começa a navegar nas águas da corrupção. Temos que ter isso presente", acrescentou Serra.
O presidente de honra do partido, Fernando Henrique Cardoso, foi outro crítico dos adversários petistas, dizendo que o governo Dilma "é fracasso pra todo lado e muito papo furado" e que "usa instrumentos para calar a boca, para impedir CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) e fazer tudo por medida provisória".
Sobre o PSDB, Fernando Henrique disse que o partido "conseguiu superar suas divergências" e deverá cultivar a "coesão e a unidade". "O inimigo é externo. Nosso aliado é o Brasil".
DEM
Apesar das negativas de tucanos sobre uma possível fusão com o DEM, o presidente da legenda, José Agripino (RN), discursou no evento, dizendo que a convenção é "a festa da oposição no Brasil" e mostra as "afinidades" dos partidos oposicionistas. "Do lado de lá só há brigas, desentendimentos. Nós temos afinidades. Em nome das afinidades, estamos juntos, em nome da oposição, vigiando o mal feito. Nos atacam de toda forma, tentam nos diminuir de toda forma, mas a oposição vai resistir em torno do interesse do cidadão."