A oposição deflagrou nesta terça-feira uma série de ações para investigar a evolução patrimonial do ministro Antônio Palocci (Casa Civil) nos últimos quatro anos.

Além de apresentar duas novas representações à Procuradoria-Geral da República para apurar o aumento no patrimônio do petista, os oposicionistas vão protocolar novos requerimentos de convocação de Palocci para depor em comissões na Câmara.

PSDB, DEM, PPS e PSOL também começaram hoje a coletar assinaturas para a instalação de CPI mista (com deputados e senadores) para investigar o caso Palocci. Por ser minoria na Câmara e no Senado, a oposição está ciente de que só vai conseguir instalar a CPI se tiver apoio de parte da base aliada da presidente Dilma Rousseff no Congresso.

"Hoje estamos bem diminuídos em número de membros, mas na base há muita gente revoltada com o fato do ministro não dar explicações", disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Para que a CPI seja instalada, são necessárias 27 assinaturas de senadores e 171 de deputados. "Na Câmara, vamos ter um trabalho mais intenso na coleta de assinaturas, mas vamos à luta", disse o deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP).

Os governistas já conseguiram o apoio do senador Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE) ao requerimento de instalação da CPI. Apesar de integrar um partido da base governista, Jarbas é conhecido por se aliar à oposição no Senado.

DEM, PSDB, PPS e PSOL reuniram seus líderes na Câmara e no Senado esta manhã para definir as estratégias de atuação da oposição no caso Palocci.

OFENSIVA

O deputado ACM Neto (BA), líder do DEM, afirmou que a oposição vai insistir na convocação de Palocci para se explicar na Câmara sobre o crescimento em 20 vezes do seu patrimônio entre 2006 e 2010.

Os oposicionistas prometeram apresentar requerimentos em pelo menos cinco comissões da Câmara para que Palocci deponha aos deputados. Na semana passada, o governo conseguiu derrubar todos as convocações ao ministro apresentadas pela oposição.

"Sabemos da máquina da Presidência da República no Congresso, mas temos que tentar", afirmou Dias.