O juiz Djaci Salustiano adiou na manhã desta terça-feira o julgamento dos acusados de participação no assassinato da turista alemã Jennifer Marion Nadja Kloker, 22. O crime aconteceu na cidade de São Lourenço da Mata (PE), em 16 de fevereiro do ano passado.

O julgamento chegou a ser iniciado, mas foi interrompido após o advogado de Delma Freire, sogra da vítima e acusada de participação no crime, solicitar que ela passasse por exames de sanidade mental.

Segundo o Tribunal de Justiça, o defensor apresentou um laudo em que a acusada é apontada como bipolar, com episódio de depressão e sintomas psicóticos. Com isso, o juiz concedeu o adiamento do julgamento dela.

Posteriormente, o Ministério Público solicitou o adiamento do júri dos outros três acusados, de forma a serem junto com Delma.

Os demais acusados são Pablo Tonelli (marido da vítima), Ferdinando Tonelli (pai adotivo de Pablo) e Alexsandro Nunes dos Santos, o Sandro, (acusado de ser contratado para atirar na alemã).

Com o adiamento, Delma deverá ser encaminhada para o Hospital Psiquiátrico do Estado e será ser submetida a exames de sanidade mental em até 45 dias. O novo julgamento deverá ser marcado após esse prazo. Os demais acusados aguardarão presos.

Os réus respondem pelos crimes de formação de quadrilha e homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e uso de recurso que tornou impossível a defesa da vítima). Delma ainda será julgada pelo crime de fraude processual, sob a acusação de ter tentado modificar os rumos da investigação ao indicar um falso autor do assassinato.

INVESTIGAÇÕES

Em depoimento, os suspeitos disseram que o crime foi cometido após terem sido vítimas de assalto, na noite da terça-feira de Carnaval. Segundo eles, dois assaltantes, que estariam em uma moto, levaram a mulher no carro usado pela família porque ela gritava muito. O corpo da alemã foi encontrado no dia seguinte, às margens da rodovia BR-408, próximo à estação rodoviária.

A polícia, entretanto, afirma ter encontrado testemunhas e indícios contraditórios aos relatos. O GPS do carro, que era alugado, indicaria trajeto diferente do informado pela família. Um homem também teria visto os suspeitos próximos ao veículo quando ele já estaria em poder dos supostos assaltantes.

Uma quinta pessoa também é apontada pela polícia como envolvido no crime. Dinarte de Medeiros (irmão de Delma), entretanto, recorreu da pronúncia e aguarda decisão da 1ª Câmara Crimina, que se reúne todas as terças-feiras à tarde.