Diante do aumento do número de reclamações de pacientes insatisfeitos com cirurgias plásticas, o Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu lançar uma ficha em que o médico irá documentar todas as informações e esclarecimentos repassados ao paciente sobre a cirurgia, desde a consulta até a alta do hospital ou clínica. O modelo do formulário foi definido em conjunto com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Tudo ficará registrado no documento, assinado pelas partes, em duas vias, sendo que uma ficará com o paciente e a outra com o médico. Em um primeiro momento, o CFM vai apenas recomendar a adoção do formulário, disponível na página do conselho na internet. Para se tornar obrigatório, é preciso a aprovação de uma norma pelo órgão.
O Brasil é o segundo país no ranking mundial de cirurgias plásticas, perdendo apenas para os Estados Unidos. Estima-se que foram feitas 640 mil operações desse tipo no País em 2009 - mais de 80% em mulheres. O implante de silicone lidera as cirurgias plásticas, seguido da lipoaspiração. Atualmente, existem quase 5 mil cirurgiões plásticos, mais de 90% deles trabalhando no Estado de São Paulo.
De 2001 a 2010, o CFM julgou 453 processos relacionados à especialidade e nove profissionais tiveram o registro cassado. Em algumas queixas, os pacientes reclamaram que não sabiam que ficariam com cicatriz e que tiveram dificuldade de encontrar o médico depois da cirurgia. Com o novo documento, o CFM quer diminuir as falhas na comunicação entre médicos e pacientes.