A promotoria de Nova York acusou formalmente nesta segunda-feira o cidadão sueco Paul Mardirossian de vender armas a um suposto membro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em troca de receber grandes quantidades de cocaína. Mardirossian, detido no Panamá no dia 27 de abril, foi chamado a comparecer perante um juiz do Tribunal do Distrito Sul de Nova York nesta segunda-feira, onde é acusado de delitos relacionados com "narcoterrorismo", segundo detalhou a promotoria em comunicado de imprensa.
Concretamente, ele é acusado de conspirar para participar de narcoterrorismo, conspirar e tentar fornecer material para apoiar a uma organização terrorista estrangeira, tratar de importar cinco quilos ou mais de cocaína e realizar lavagem de dinheiro. O acusado supostamente entrou em acordo para fornecer armas de tipo militar como rifles AK-47, munição e granadas a um agente da agência antidrogas americana (DEA) que fez-se passar por um membro das Farc, tudo isso em troca de receber centenas de quilos de cocaína para supostamente traficar.
Mardirossian teria fechado esses acordos "sabendo que essas armas seriam utilizadas para prejudicar cidadãos americanos", explicou no citado comunicado o promotor federal Preet Bharara. Nesse mesmo texto o agente da DEA Derek Maltz assegura que a detenção de Mardirossian "ilustra de novo a perigosa conexão entre os traficantes de drogas em nível mundial e as redes terroristas que querem atingir americanos inocentes".
O sueco teria se reunido com o suposto membro das Farc em diferentes países de todo o mundo, entre eles Espanha e Panamá, desde fevereiro do ano passado até janeiro deste ano para fechar esses acordos. O comunicado da promotoria explica, por exemplo, que em janeiro deste ano o acusado e um suposto colaborador se reuniram no Panamá com o agente da DEA, que fazendo-se passar por um alto comando das Farc lhes informou que as armas recebidas seriam utilizadas para atacar uma base militar americana em construção.
No dia seguinte, Mardirossian viajou junto ao suposto membro das Farc para revisar 50 kg de cocaína que receberiam em troca das armas, ao tempo que dias depois enviou US$ 20 mil a uma conta bancária de Nova York para cobrir os custos do suposto envio de cocaína que receberia. Segundo a promotoria, o sueco também enviou uma granada e uma espingarda AK-47 a outro agente secreto em Copenhague (Dinamarca) que participou de uma operação que contou com a cooperação das autoridades da Espanha, Itália, Dinamarca e Panamá.