O governo brasileiro pretende ampliar sua parceria com a Venezuela no programa habitacional lançado neste final de semana pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez.
Um dos acordos que seriam assinados durante a visita de Chávez ao Brasil, cancelada na última hora, previa a criação de um plano de trabalho entre os dois países para aumentar a presença da construção civil brasileira naquele país.
"Queremos que a Caixa Econômica tenha um papel mais importante no projeto de desenvolvimento urbano de moradia com base na experiência do [programa] Minha Casa Minha Vida", disse o ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores) após encontro com o chanceler venezuelano, Nicolas Maduro, nesta terça-feira.
Patriota também conversou com o presidente Hugo Chávez, que lamentou o cancelamento da visita. Uma nova viagem deve ser marcada para o próximo mês.
De acordo com o chanceler da Venezuela, Chávez telefonou para a presidente Dilma Rousseff ontem à noite, quando também foi mencionada a participação do Brasil no megaprograma habitacional venezuelano. Chamado de 'Gran Mision Vivienda', o programa tem a intenção de construir 2 milhões de casas nos próximos 7 anos.
"Dilma propôs ao presidente Chávez [formar] uma equipe especial com companheiros da Caixa [Econômica Federal] e outras instituições que já estão trabalhando na Venezuela, para aumentar os planos de trabalho e a cooperação no tema da construção de casas, com participação de tecnologias de empresas brasileiras", afirmou Maduro.
Segundo ele, a participação brasileira se dará por meio de financiamento e de participação direta na construção das casas.
FARC
No encontro, os chanceleres mencionaram o relatório, divulgado nesta terça-feira em Londres, que aponta relação entre o presidente venezuelano e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). De acordo com o documento, resultado de análise do material apreendido com o ex-líder rebelde Raul Reyes, Hugo Chávez prometeu US$ 300 milhões para a guerrilha em 2007.
Após a reunião, Patriota afirmou, no entanto, que o cenário atual é de "novo ambiente de entendimento entre a Colômbia e a Venezuela" e citou como exemplo o empenho dos dois países para o retorno do ex-presidente Manuel Zelaya à Honduras.
"Houve extradição de lado a lado de pessoas que estavam sendo aguardadas pela justiça de um país e de outro. Isso até independente de pressões internas para que não ocorresse. Esse clima de entendimento é muito positivo e cria condições para que nós trabalhemos de maneira harmoniosa", disse o ministro.