A universidade de Northeastern, nos Estados Unidos, foi forçada a suspender programas internacionais e retirar os alunos após anúncios do Departamento Estadual desaconselhando viagens a Tailândia (violência contra o governo), Nova Zelândia (duas vezes, devido a terremotos em Christchurch em setembro e fevereiro), Egito (revolução) e Japão (terremoto, tsunami e crise nuclear). Outras universidades do país foram forçadas a tomar medidas semelhantes para garantir a segurança dos alunos.
Para funcionar com êxito em outros países, as instituições de ensino - juntamente com os pais e alunos - têm de aceitar que a incerteza é a norma. Para os estudantes, porém, isso parece não ser um problema. Muitos querem trabalhar na reconstrução, além de buscar conhecimento em primeira mão da política que causa a discórdia e a reforma.
Peggy Blumenthal, conselheira sênior do Instituto de Educação Internacional, afirma que após os ataques de 11 de setembro, esperava-se uma queda nas inscrições para estudar em países islâmicos. Em vez disso, houve um aumento de 127% de 2002 a 2006.
A Universidade Americana do Cairo também suspendeu seu programa após o anúncio feito em fevereiro pelo Departamento Estadual contra viagens desnecessárias ao Egito. No entanto, a maioria dos 325 americanos que estudam na região saboreou o prazer de ver a história de camarote e não queria sair, segundo a presidente da universidade, Lisa Anderson. Ela disse que os programas de inverno estão em discussão e, se os anúncios aumentarem, ela espera uma "supersafra" de alunos.
A maioria dos patrocinadores de estudos em outros países baseia suas decisões de suspender programas nos avisos do Departamento Estadual americano. Os anúncios podem acarretar políticas de segurança, não deixando outra opção além da evacuação dos alunos. O auxílio federal para o estudo em outros países não pode ser usado em países com anúncios de risco.
Anderson aconselha pais e alunos a recorrerem a uma instituição "robusta", que avalie o nível de risco do país e execute procedimentos de emergência, incluindo medidas aparentemente simples, como transporte para um aeroporto ou providenciar o despacho de pertences para a residência.
Empresas como a International SOS firmam contratos com universidades para fornecer assistência de emergência. Elas localizam médicos, providenciam viagens de evacuação, prestam consultoria para alunos em crise e auxiliam pais na comunicação com os alunos. Se o fornecedor não inscrever tais empresas, os alunos podem adquirir cobertura de maneira independente.
As universidades também ajudam os alunos da região a concluir o semestre em outro local. A maioria dos 69 alunos que tiveram de sair da Universidade do Templo do Japão concluem os créditos no campus principal da Filadélfia ou online. Os estudantes da Universidade de Georgetown, evacuados do Egito, foram colocados em outros programas, incluindo regiões como Qatar e Istambul, ou foram enviados para casa. Os alunos da Universidade Americana conseguiram transferência para universidades da Jordânia e do Marrocos.
Oriente Médio
O estudo de americanos em países do Oriente Médio ou na África do Norte é menor, 6.446 alunos em 2008-09, o último ano disponível. Isso inclui cerca de 480 alunos na Jordânia, 130 na Tunísia e 75 entre Irã, Síria, Bahrein e Iêmen (nenhum na Líbia, que contava com 2 alunos no ano anterior). O Egito tinha mais de 1.800 alunos estrangeiros visitantes.
No entanto, a retomada dos programas no inverno depende de como será o processo político. "Estamos no Egito supondo que os fatores de risco não aumentarão ou que o risco esteja dentro do esperado", afirma Donna Scarboro, vice-presidente de programas internacionais da Universidade de George Washington. A dificuldade dessas avaliações, segundo ela, "é que o Egito não estava registrado como local de alto risco no inverno ou na primavera do ano passado".
Na George Washington, quando a revolução começou, os protocolos foram aplicados para avaliar a situação. "Às vezes, é uma questão de perigo iminente", diz ela. "Às vezes, é uma questão de avaliar o transporte e os recursos. Se as circunstâncias dificultarem o estudo e o aprendizado do aluno, o propósito se perde".
Por fim, a universidade ativa seu plano de evacuação de segurança. Apesar do tumulto, já há inscrições para o programa de inverno. Esses destinos oferecem "um aprendizado muito valioso de que os alunos querem fazer parte", afirma Scarboro, e as escolas querem proporcioná-lo.
A Northeastern também vê o lado bom da situação e permite que alunos e professores façam uma petição para seu comitê de avaliação retomar os programas. Então, os alunos conseguem, sim, estudar em Israel, segundo ela, ou no Quênia (sob a condição de ficarem longe de áreas fronteiriças sujeitas à violência) e no Líbano (mas não na região sul), onde a inscrição de alunos americanos aumentou em até 42 % em 2008-09.
Denis J. Sullivan, que controla os programas do Oriente Médio da universidade e leva alunos ao Egito há 18 anos, fez uma petição para retornar à região para três sessões de versão.
Japão
No entanto, levará algum tempo para muitos programas determinarem como proceder no Japão, o 11º destino mais popular de estudantes estrangeiros, com quase 5,8 mil participantes. As decisões serão baseadas no risco que alunos e membros do corpo docente enfrentarão no país. Presenciar um terremoto e viver sob o medo da radiação é bem diferente do que observar, ou até mesmo fazer parte, de um movimento político, de acordo com Bruce Stronach, reitor da Universidade do Templo do Japão. Ainda assim, os alunos estão se inscrevendo para estudar lá no inverno, e as aulas foram retomadas normalmente no dia 4 de abril.
Como o calendário acadêmico do Japão é diferente do dos Estados Unidos, Georgetown decidiu que os alunos em seu semestre de estudo internacional na primavera não poderiam concluir o período em seu campus em Washington. A universidade planeja cursos para esses alunos no verão, mas seus planos para o Japão estão suspensos.
Katherine Bellows, diretora executiva dos programas internacionais de Georgetown, afirma que os alunos não especificamente interessados na cultura e no idioma japonês estão sendo incentivados a considerar outras regiões da Ásia. "Eles passam quase um ano se preparando para entrar nessa cultura", diz. "Eles estavam tão animados. Ter de sair ou nem entrar no avião é de cortar o coração".
Experiência
Richard Rinaldi, calouro de Georgetown, retornou ao campus após sua temporada de estudos no Egito ser encerrada após apenas 10 dias. "Às vezes, neste semestre, eu olho em volta e me questiono sobre o que estou fazendo aqui", diz ele. "Foi uma jornada mais curta, mas uma experiência muito mais enriquecedora. Pessoas podem viver uma vida inteira sem testemunhar o que eu vi".
Georgetown espera enviar seus alunos de volta à Universidade Americana do Cairo no inverno. "Segurança em primeiro lugar", diz Bellows, "mas parte da nossa missão é ensinar os alunos a navegar nesse mundo em constante mudança e cheio de eventos que não podemos prever".