O presidente do Fed (Banco Central americano), Ben Bernanke, reafirmou nesta quarta-feira a opinião da autoridade monetária de que a alta da inflação nos Estados Unidos é temporária e consequência do aumento de preços das commodities.

Em uma coletiva de imprensa inédita, ele disse que a previsão do Fed para a inflação americana este ano está entre 2,1% e 2,8%. A partir do ano que vem, a variação de preços deve cair para próximo de 1,2%, segundo Bernanke.

"Os preços de commotidites estão impulsionando a inflação. A expectativa de longo prazo permanece estável. Esses elevados preços de commodities são transitórios", disse. "Nossas expectativas são de que a inflação vai cair. Mas estamos observando de perto e com cuidado".

No comunicado em que justificou sua decisão de hoje, o Fed citou que os juros permanecerão no nível baixo por um "período extenso". Segundo Bernanke, a escolha dessa expressão vaga se explica porque o Fed não sabe ainda quanto tempo deve levar para começar a agir contra a inflação.

Em relação à cotação do dólar, que vem se desvalorizando, Bernanke disse que "a melhor medida para o dólar é manter a inflação baixa".

Bernanke culpou o crescimento das economias emergentes pelo aumento dos preços do petróleo e, consequentemente, dos combustíveis que vem puxando a inflação nos EUA. "O que podemos fazer é tentar impedir que os preços dos combustíveis sejam repassados para outros preços", disse.

Outras previsões anunciadas por Bernanke foram para o crescimento econômico, de 3,1% a 3,3% para este ano. E de desemprego, de 8,4% a 8,7% para este ano.

JUROS

O Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano) manteve nesta quarta-feira a taxa de juros do país entre 0% e 0,25%. A autoridade monetária confirmou, também, que vai encerrar em junho o plano de estímulo monetário de compra de títulos do Tesouro.

O programa de estímulo monetário, chamado de QE2 (quantitative easing, fase 2) foi criado para injetar a quantia de US$ 600 bilhões na economia americana. Pela compra de títulos do Tesouro, o Fed consegue também manter as taxas de juros em queda.

O cronograma do QE2 já previa o encerramento em junho deste ano, mas alguns profissionais do mercado financeiro apostavam que seria prorrogado para continuar a estimular o crescimento econômico dos Estados Unidos.

O objetivo de encerrar o QE2 é de começar a atuar para controlar a inflação.

Na tarde desta quarta-feira, o presidente do Fed, Ben Bernanke, vai conceder uma coletiva de imprensa inédita, sobre os rumos da política monetária do banco.

A reunião do Fomc (equivalente a um comitê de política monetária do Fed) durou dois dias. O comunicado do comitê que divulgou os resultados, o Fed aponta que a reativação econômica do país segue em 'ritmo moderado'.

Ainda que a inflação tenha se acelerado, o Fed indicou acreditar que a alta dos preços é temporária. O banco mostrou preocupação com a persistência do alto nível de desemprego.

O desemprego americano caiu para 8,8% em março, o menor nível em dois anos. Mas o Fed disse no comunicado que ainda considera esse nível elevado.

Por causa da preocupação com o desemprego, o Fed não tomou a medida mais forte neste momento que seria o aumento dos juros, que estão no menor nível.

A decisão do comitê do Fed foi unânime entre seus diretores.

A taxa de juros entre 0% e 0,25% foi fixada em dezembro de 2008 como uma medida para estimular o consumo e tirar o país da recessão econômica.

O Comitê justificou que, dadas as condições econômicas atuais, manterá as taxas de juros neste níveis "excepcionalmente baixos" durante "um período extenso".