Várias pessoas morreram nesta sexta-feira em diferentes partes da Síria durante manifestações políticas contra o regime de Bashar al-Assad, segundo fontes da oposição e redes árabes de televisão. A emissora da oposição Shaam, em sua página do Facebook, divulgou a morte de um jovem na cidade central de Homs e de outra pessoa em um bairro de Damasco. Já a Al Jazeera confirmou uma morte em Homs, dois mortos em um bairro em Damasco e mais sete mortos em Izraa.
Multidões começaram a sair às ruas da Síria após as rezas desta sexta-feira, quando manifestantes prometem fazer os maiores protestos contra o governo de Bashar al-Assad até agora. Tropas estão nas ruas da cidade de Homs, e milhares realizam passeatas nos arredores de Damasco e na cidade de Deraa.
Em uma concessão aos manifestantes, o presidente pôs fim, na quinta-feira, a cinco décadas de estado de emergência. Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que mais de 200 pessoas morreram na Síria durante semanas de protesto contra o governo.
Um porta-voz do grupo Human Rights Watch afirma que Assad "tem a oportunidade de provar suas intenções permitindo os protestos desta sexta-feira a se desenrolarem sem repressão violenta". "As reformas serão significativas apenas se os serviços de segurança sírios pararem de atirar, prender e torturar manifestantes", disse Joe Stork, vice-diretor de Oriente Médio da Human Rights Watch.
O governo sírio diz que está ouvindo as demandas dos manifestantes, e Assad afirma que está avaliando um programa de reformas. As concessões de quinta-feira incluem a abolição das cortes de segurança estaduais e a premissão a protestos pacíficos. Entretanto, outras leis dão ao governo poderes amplos para prender ativistas e reprimir dissidências.
Uma nova lei exige que sírios peçam permissão ao Ministério do Interior para realizar manifestações. Alguns advogados dizem que isso continua a restringir a liberdade de associação da mesma forma que sob a lei de emergência. Assad disse semana passada que não haveria mais "desculpas" para manifestações uma vez que o estado de emergência fosse suspenso.< Mas analistas afirmam que um número cada vez maior de ativistas vêm pedindo a queda do regime.
A onda de protestos inédita na Síria foi inspirada por levantes contra regimes autoritários em Tunísia e Egito. No entanto, o governo diz que as manifestações são uma "insurreição armada" de grupos salafistas nas cidades de Homs e Baniyas. O salafismo é um ramo radical do Islã sunita, que muitos governos árabes igualam a grupos extremistas como a rede Al-Qaeda.
Manifestações contra o partido governante sírio, o Baath, começaram na cidade de Deraa, no sul da Síria, no começo de março, e rapidamente se espalharam pelo país. As manifestações são a mais grave ameaça enfrentada pelo governo de Assad desde que ele substituiu seu pai, Hafez, há 11 anos.