A prefeita do município de Anadia, Sânia Tereza (PT) se defendeu no início da tarde desta quarta-feira (20) sobre o pronunciamento do deputado estadual, Ronaldo Medeiros (PT) que afirmou que a prefeita deveria ser expulsa do partido, por supostas denúncias de várias irregularidades no município.

Sânia disse ao CadaMinuto que o pronunciamento do deputado foi ‘infeliz e individual’, durante entrevista no Conversa de Botequim. “O presidente do partido, Joaquim Brito falou que não existe nada contra minha pessoa no diretório. Não entendi o motivo do pronunciamento de Ronaldo”, falou a prefeita, garantindo não ter existido qualquer atrito com o deputado.

E sobre as denúncias feitas por vereadores de oposição, a prefeita falou que o município está regular e que tudo foi possivelmente tramado pelo deputado Antônio Albuquerque. “O grupo que fez as denúncias é ligado diretamente a Albuquerque. Na verdade eles fizeram um espetáculo e vou me defender de cada acusação”, explicou Tereza.

De acordo com a prefeita, o grupo vem fazendo um trabalho sujo de oposição, cujo foco está voltado apenas ao processo eleitoral que se aproxima. “A oposição é algo salutar e faz parte do processo democrático em qualquer lugar. Acho lamentável ver pessoas utilizando deste nobre direito não para lutar pelos interesses coletivos do povo que o elegeu, mas sim, para fazer mera politicagem, desonrando nossa cidade e nosso povo”, frisou Sânia.

A prefeita ainda acusou o grupo opositor de estar tentando, a todo custo, desestabilizar sua administração. “Essas pessoas estão jogando de forma suja e injusta ao ficarem, de forma irresponsável, pulverizando boatos e denúncias fantasiosas para tentar desestabilizar o trabalho realizado ao longo destes dois anos e quatro meses”, disse.

Sobre a suposta denúncia que acusa o Município de não repassar às instituições financeiras os valores descontados dos servidores que têm empréstimos consignados, Sânia Tereza disse que a Prefeitura de Anadia está em dia com todas as instituições conveniadas e desafia qualquer servidor que esteja com o nome sujo na praça por conta da falta de repasse da Prefeitura.

Sânia Tereza alega ainda que a suposta inclusão dos nomes das pessoas mencionadas na matéria junto aos órgãos de proteção ao crédito, certamente deve-se a outras razões ligadas à inadimplência pessoal, mas, de forma alguma, ao não pagamento dos valores descontados para a Caixa Econômica e Banco do Brasil.

A prefeita anadiense também rebateu a acusação de que a aquisição de combustível dos veículos oficiais do Município esteja sendo feita de forma ilegal e sem licitação. Segundo Sânia, o Município segue o que preceitua a legislação pertinente, obedecendo todos os critérios sobre realização de pregões presenciais, dispensas de licitação, inexigibilidades e convites de acordo com a lei 8666/93. afirmou também que os editais e os contratos oriundos das licitações são devidamente publicados no Diário Oficial do Estado e nos jornais de circulação estadual.

O grupo oposicionista ainda citou que o Município não está disponibilizando remédios para a população anadiense. De acordo com a prefeita, foi encaminhado ao Ministério Público um relatório assinado pela farmacêutica do Município, dando conta de que os estoques da Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF) de Anadia possuem itens suficientes para abastecer as unidades de saúde, ambulatórios e o CAPS, porém, diante da demanda e do consumo, eventualmente pode haver a falta de um ou outro item, o que, imediatamente, é reposto pelo Município.

Sânia Tereza também comentou sobre as acusações de um débito de R$ 75 mil entre a Prefeitura e Eletrobrás. Segundo ela, a atual gestão herdou débitos com várias empresas, a exemplo da CASAL, Telemar, Tim, INSS, entre elas, a Eletrobrás. Os débitos atingiam a ordem de R$ 18 milhões, sendo quase 50% deste total somente com FGTS e INSS. “Assim que assumimos a Prefeitura fizemos parcelamento do INSS, FGTS e uma proposta de parcelamento com os débitos da CEAL e CASAL”, disse.

A gestora disse ainda que em função da queda de arrecadação, o pagamento da folha e dos encargos sociais são as prioridades. Hoje Anadia tem 17.357 habitantes, segundo dados do IBGE. O município tem uma relação de um funcionário concursado efetivo para cada 18 habitantes, onde a recomendação é de um para cada 50. Parte da receita do FPM e ICMS, que já é escassa, é comprometida no pagamento da folha. “O parcelamento junto a Eletrobrás já foi encaminhado, assim como já foi feito as demais empresas”, alegou.

Quanto a denúncia sobre a demora na construção das 17 casas populares na comunidade Baixa da Pedra, a prefeita afirma que o projeto já foi aprovado pelo Ministério das Cidades; o convênio já foi assinado entre a Caixa Econômica e a Prefeitura, o recurso já foi empenhado, a contrapartida da Prefeitura efetuada, porém, o que falta é romper a barreira da burocracia e do excesso de exigências impostas pela equipe de analistas da Caixa Econômica.

A prefeita relembrou a situação insalubre em que viviam estas famílias, em terreno de propriedade do Município. No passado, a área foi invadida e nela construídos barracos de taipa, lona e papelão, deixando famílias inteiras amontoadas em situação desumana.

Sensibilizada com a situação, Sânia Tereza conseguiu, junto ao então deputado federal Benedito de Lira, um convênio com o Ministério das Cidades para a execução de um projeto de reurbanização de assentamentos precários contemplando essas famílias. Imediatamente as famílias desocuparam a área e, paralelamente, o Município se disponibilizou em arcar com as despesas de aluguel custeadas até hoje, além de beneficiá-las com ações assistências. “Não meço esforços para sanar as pendências impostas e iniciar o mais breve possível a construção das moradias”, garantiu.

OPORTUNISTA

A prefeita, mais uma vez, lamentou a atitude desesperada dos vereadores, inclusive do presidente municipal do PPS, Dimas Almeida, que, de forma isolada, se aliou aos seus adversários políticos para tentar uma possível retaliação pela sua exoneração do quadro de secretário do Município. “Enquanto os vereadores se prevalecem do cargo para postularem denúncias infundadas, o Dimas aproveitou a oportunidade para resolver uma questão pessoal. Ele, depois de um ano e onze meses trabalhando como secretário de Assistência Social do Município, foi exonerado por conta das inúmeras reclamações e denúncias de desrespeito e práticas de assédio com os funcionários, assim como pela incapacidade demonstrada para estar a frente de uma secretaria tão importante como é a Assistência Social”, finalizou a prefeita.

Finalizando, a prefeita afirma que sente-se tranquila em relação ao procedimento do promotor Maurício Amaral Wanderley, uma vez que não há demonstração de que o representante do Ministério Público tenha agido por motivações políticas. “Ao contrário, a postura adotada pelo promotor inspira respeito, pois tem atuado de forma imparcial, cobrando responsabilidade de todos os agentes públicos. Apesar dos problemas já vivenciados, acredito na justiça e nos homens e mulheres dece