Em entrevista na manhã desta terça-feira (19), o comando do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), da Força Aérea Brasileira, afirmou que o Brasil participa ativamente das investigações do acidente com o voo 447 da Air France, que matou 228 pessoas em maio de 2009.
Os familiares das vítimas têm reclamado da falta de influência do país no rumo das investigações, hipótese que foi rechaçada durante a entrevista.
De acordo com o brigadeiro Carlos Alberto da Conceição, a participação do Brasil nas investigações é embasada no anexo 13 da Convenção de Chicago. O brigadeiro ressaltou, porém, que essa participação se refere apenas às investigações das causas do acidente, para prevenção futura, e não tem a ver com a busca de eventuais culpados.
As investigações são de responsabilidade do BEA (Birô de Investigações e Análises), escritório francês que investiga a segurança na aviação civil. O Cenipa, órgão da FAB, tem um representante acreditado que acompanha os trabalhos, o coronel Luís Cláudio Lupoli.
Lupoli embarca em breve em no navio francês Ile de Sein, que parte do Senegal no dia 22 para buscar destroços do avião e, possivelmente, os corpos das vítimas. "O BEA é responsável pela investigação, mas o Lupoli não é mero observador e participa em absolutamente tudo. Se acontecer algo com quem ele não concorde, tem o direito de reportar aos países signatários da Convenção", disse o brigadeiro.
O brigadeiro disse ainda que a investigação das causas do acidente feita pelo BEA não se confunde com a investigação policial do acidente, que está a cargo do governo francês. Reconheceu, porém, que se a Justiça francesa requisitar o relatório emitido pelo BEA, poderá usá-lo em um eventual processo judicial. Ele não soube informar se o governo brasileiro fez algum pedido para ingressar na apuração da polícia francesa.
Tanto o brigadeiro quanto o coronel se disseram otimistas a respeito do resgate das duas caixas-pretas do avião, "elemento fundamental para as investigações". Segundo eles, a concentração dos destroços, mostrada em fotos publicadas pelo BEA, favorece as buscas.
Não se sabe, entretanto, se será possível recuperar o conteúdo das caixas. O coronel citou o caso de uma caixa-preta que depois de dez anos submersa ainda pôde ser analisada, mas ressaltou que isso não é regra.
CORPOS
O comando da Cenipa também disse nesta terça que o governo francês irá buscar os corpos das vítimas do acidente.
Segundo o brigadeiro Carlos Alberto da Conceição, o governo francês tentará o resgate por meio do navio francês Ile de Sein. Ele diz, entretanto, não saber se o resgate dos corpos será possível.
No dia 15, a Associação das Famílias das Vítimas do Voo 447 da Air France informou que os corpos dos que morreram no acidente não poderiam ser resgatados. A decisão havia sido tomada durante reunião com o BEA na noite anterior, em Paris.
De acordo com os familiares, a decisão foi embasada na opinião de médicos peritos, que disseram que os corpos não resistiriam ao içamento. A FAB não soube informar se os familiares das vítimas foram avisados da nova decisão do governo francês sobre o resgate dos corpos.
BUSCAS
A equipe de buscas aos destroços do voo 447 encerrou as operações submarinas no dia 8 de abril. O BEA divulgou as primeiras imagens dos destroços. De acordo com o órgão, foram localizadas partes do motor, fuselagem, asas e do trem de pouso do Airbus A330-203, que fazia o voo 447 da Air France que caiu em 2009 com 228 pessoas.
A ministra francesa dos Transportes, Nathalie Kosciusko-Morizet, confirmou a presença de corpos dentro de uma grande parte da fuselagem. Ao anunciar a localização dos primeiros destroços, Kosciusko-Morizet afirmou que esperava "localizar rapidamente as caixas-pretas" do Airbus, um dos principais objetivos da missão e fundamentais para esclarecer as causas da tragédia.
"Se não foram destruídas no choque, existem a possibilidade de que funcionem", disse Jean Paul Troadec, diretor do BEA, na ocasião. Ele afirmou que a localização dos destroços também permitirá precisar a trajetória final da aeronave.