Ao menos 22 pessoas morreram na cidade de Deraa, no sul da Síria, durante protestos que se espalharam por todo o país nesta sexta-feira, segundo fontes.
Testemunhas acusaram forças do governo de abrir fogo contra manifestantes que protestavam contra o governo do presidente Bashar al-Assad, há 11 anos no poder, enquanto autoridades culpam grupos armados pela violência.
Segundo as testemunhas, protestos irromperam em diversas cidades do país de 20 milhões de habitantes após as orações de sexta-feira.
"Liberdade, liberdade, nós queremos liberdade", gritavam milhares de manifestantes em várias cidades sírias.
No leste, milhares de curdos se manifestaram em defesa de reformas, apesar da proposta do presidente nesta semana de eliminar regras que impedem muitos curdos de terem acesso à cidadania, disseram ativistas.
Um voluntário no hospital de Deraa e um ativista disseram que 22 pessoas morreram e 120 ficaram feridas, o que eleva para mais de 90 o número de mortos em três semanas de protestos.
A televisão estatal informou que grupos armados mataram 19 policiais e feriram 75 em Deraa.
"Vi poças de sangue e três corpos sendo retirados da rua por parentes na área de Mahatta", disse uma das testemunhas, que falou por telefone com a Reuters.
"Há franco-atiradores nos telhados. O tiroteio é pesado. Os feridos estão sendo levados às casas. Ninguém confia em colocar seu parente em um hospital nessas circunstâncias", acrescentou. Muitos manifestantes temem que serão detidos se forem levados às clínicas.
Manifestantes também surgiram na cidade de Homs, no oeste do país, e disparos foram ouvidos em Harasta, subúrbio de Damasco. Em outro subúrbio, Douma, onde protestos vêm ocorrendo nos últimos dias, estava sem contato em grande parte pois as linhas telefônicas foram cortadas, disseram ativistas. A mídia é muito controlada na Síria.
As manifestações começaram em Deera no mês passado e se espalharam pelo país nas últimas três semanas. Assad respondeu com uma mistura de força contra os manifestantes, e gestos indicando reforma, mais recentemente em favor dos curdos.