A comissária de Assuntos Interiores da Comissão Europeia - órgão executivo da União Europeia (UE) -, Cecilia Malmström, advertiu que os refugiados da Líbia, que foram num primeiro momento aos países vizinhos, chegarão também à Europa.
Em entrevista publicada nesta sexta-feira pelo jornal francês "Le Monde", Malmström lembrou que já são 450 mil as pessoas que fugiram da Líbia, das quais 225 mil se deslocaram à Tunísia. "É evidente que o êxodo será feito primeiro aos países vizinhos, mas também à Europa. É preciso se preparar".
A comissária insistiu na necessidade de diferenciar a situação da maioria das cerca de 20 mil pessoas que desembarcaram na ilha italiana de Lampedusa, que, segundo ela, "são imigrantes econômicos" procedentes da Líbia, que "pedem uma proteção internacional", e com os quais a UE tem "obrigações".
Malmström destacou que "cerca de 2 mil pessoas" procedentes dos países árabes pediram asilo e se mostrou conciliadora com as tensões dos últimos dias entre Itália e França, pelo temor de Paris de que boa parte dos imigrantes em Lampedusa sigam para território francês.
No entanto, ela reconheceu que, diante de uma tentação generalizada de fechar as fronteiras, a Comissão Europeia só pode agir em um contexto de "cooperação" entre os Estados-membros.
A comissária disse que a intervenção da coalizão na Líbia "era muito necessária", mas reconheceu que, enquanto Muammar Kadafi continuar no poder, "haverá refugiados".