As mudanças nas linhas de ônibus que circulam pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) já preocupam estudantes e funcionários que dependem do transporte público. Isso porque caso ocorra a construção de um terminal de ônibus, dois abrigos no lado de fora do Campus e um corredor de transporte na avenida localizada ao lado da universidade, que dá acesso ao Sistema Penitenciário e ao Conjunto Denisson Menezes os coletivos passarão a não entrar na Ufal e haveria uma linha de integração.

O projeto foi elaborado como medida de segurança para restringir o acesso à universidade e já teve a primeira fase concluída, destinada a quem precisar entrar com o veículo no Campus, a exemplo de professores e funcionários que possuem um cartão magnético. A segunda etapa é destinada a quem não possui veículo e prevê o acesso pelas catracas para entrar na Ufal. A principal preocupação dos estudantes é como as linhas de integração irão dar conta do deslocamento de todos e se teriam horários fixos para circular.

Vários casos de violência têm sido registrados no campus, a exemplo de assaltos a estudantes e professores dentro doas salas de aula e o achado dos corpos de duas irmãs que estavam desaparecidas, que podem ter sido mortas por pessoas de comunidades circunvizinhas.

Segundo a assessoria da Ufal a construção do terminal de ônibus depende da prefeitura, já que a universidade doou um terreno que fica por trás do Campus para a obra. Com isso, quem for para a Ufal de ônibus teria que descer no abrigo do HU e caminhar para entrar pela guarita. As linhas então seguiriam para as comunidades circunvizinhas. “A adequação para a entrada de veículos já foi feita. O projeto não é da Ufal, a secretaria de infra-estrutura já deu instruções e aguardamos uma posição”, explicou.

O superintende da SMTT, José Pinto de Luna informou que a implantação do novo sistema de ônibus no local depende da urbanização da avenida que fica no entorno, pois a estrada é de barro. “Primeiro depende da secretaria de infra-esturutra, porque a rua tem que ter asfalto para os ônibus circularem. As linhas foram garantidas durante uma reunião com a reitora Ana Dayse e o superintendente da PF, Amaro Vieira", destacou.

Acerca do sistema de integração, Luna explicou que os ônibus levariam estudantes e funcionários até um ponto de transbordo fora da Ufal, por questão de segurança. “Os ônibus de outras linhas não circulariam mais por dentro do Campus, mas isso depende de muita conversa e a reitora e o diretório acadêmico têm que definir essa questão. É precoce fazerem movimentações contrárias, porque a obra não está pronta”, lembrou.

Reclamações

O estudante de jornalismo, Alain Lisboa concorda com a ideia de tentar coibir a ação de assaltantes e traficantes de drogas dentro da Universidade, mas lembra que a reitoria não pode esquecer que existem pessoas que necessitam do transporte público no Campus, ao discutir a instalação de uma linha de integração. “Existem inclusive, cadeirantes que precisam de locomoção e lá não tem nem calçadas adequadas”, ressaltou.

Ele lamentou que caso o projeto seja executado, boa parte dos estudantes será obrigada a esperar pelo ônibus duas vezes, questionando ainda, o horário em que essas linhas de integração circulariam. O estudante afirmou que os alunos que largam tarde precisam ir para porta da Ufal, atravessar a pista e pegar o ônibus no outro lado, para ter a certeza de que não vão perder o transporte, já que alguns motoristas nem entram no Campus.

“O que os alunos vão fazer com as aulas que terminarem muito tarde? Vão pegar um integração que não teremos a certeza da hora que vai passar e ainda esperar por outro ônibus que nunca se sabe se vai passar realmente. Os motoristas não entram na Ufal após as 22h, de propósito”, reclamou.

A estudante de arquitetura, Fernanda Martins afirmou que a possibilidade dos ônibus não circularem por dentro da Ufal existe há muito tempo, mas nunca saiu do papel. “Acho que não funciona não, tem muito aluno para pegar ônibus lá fora. Vai ser muita gente e provavelmente poucos veículos”, ressaltou.