A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse nesta quarta-feira que o líder líbio, Muammar Kadafi, deve "abandonar o poder e a Líbia", em resposta à carta que este enviou ao presidente Barack Obama. "Acho que o senhor Kadafi sabe o que tem que fazer. Tem que haver uma cessação do fogo, suas tropas têm que se retirar das cidades que tomaram pela força com uma grande violência e um grande custo humano e tem que haver uma decisão sobre sua saída do poder e (...) sua saída da Líbia", disse Hillary depois de se reunir com o chanceler italiano, Franco Frattini.
"Não acho que seja nenhum mistério o que se espera do senhor Kadafi neste momento. É uma avaliação internacional e o mais rápido possível se espera que acabe o derramamento de sangue", disse. Hillary pediu a Kadafi que deixe o poder e seu país se quiser que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ponha fim aos ataques, como pediu a Obama em carta, em linha com o que tinha dito horas antes a Casa Branca quando reivindicou ao líder líbio "atos e não palavras".
Por sua vez, Frattini admitiu que eles abordaram na reunião a possibilidade de um exílio para o coronel, mas ressaltou que se a comunidade internacional quiser avançar neste sentido não deveria entrar em todos os detalhes sobre potenciais destinos, países, possibilidades e opções. "O que é absolutamente claro é que espero que a União Africana (UA), conforme foi decidido em Adis-Abeba, envie uma delegação para transmitir uma mensagem muito clara", segundo a qual Kadafi e sua família devem sair, disse Frattini.
Hillary, quem participará na próxima semana em Berlim da reunião de ministros das Relações Exteriores da Otan, reiterou sua "plena confiança" na intervenção do organismo e destacou que está "atuando admiravelmente bem". A secretária de Estado americana e o ministro italiano analisaram, além disso, o que pode ser feito para ajudar a oposição líbia.
Líbia: de protestos contra Kadafi a guerra civil e intervenção internacional
Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Mais de um mês depois, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas.
A violência dos confrontos entre as forças de Kadafi e a resistência rebelde, durante os quais milhares morreram e multidões fugiram do país, gerou a reação da comunidade internacional. Após medidas mais simbólicas que efetivas, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a instauração de uma zona de exclusão aérea no país. Menos de 48 horas depois, no dia 21 de março, começou a ofensiva da coalizão, com ataques de França, Reino Unido e Estados Unidos.