O ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou nesta quarta-feira que as medidas tomadas pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para tentar paralisar as obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Madeira, acabam por desestimular países que, como o Brasil, atuariam na preservação de comunidades indígenas e de direitos individuais.

Nesta terça, o Ministério de Relações Exteriores havia classificado como "injustificáveis" as medidas adotadas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da entidade, que solicitou oficialmente ao governo brasileiro a suspensão imediata das obras do complexo hídrico no Pará sob o argumento de haver um potencial prejuízo dos direitos das comunidades tradicionais da bacia do rio Xingu.

"O Brasil está dando um exemplo nessas áreas, tanto ambiental quanto de respeito aos direitos individuais. A reação da comissão acaba sendo um desestímulo a que os países façam mais, porque se quem está fazendo bem não é reconhecido no esforço, então quem faz menos ainda vai achar 'puxa, não adianta até fazer esse esforço porque não é reconhecido'", disse o chanceler após ser recebido pelo senador Itamar Franco (PPS-MG). "Esperamos nos próximos dias articular dentro do governo uma resposta mais oficial [à OEA]", afirmou.