O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, pediu calma à União Europeia (UE), e uma "resposta racional" para as importações de alimentos japoneses, disse o ministro de Relações Exteriores do país em um comunicado nesta segunda-feira.

Kan conversou por telefone com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e disse que o Japão continuaria a fornecer com a "máxima transparência" informações sobre os acontecimentos na usina nuclear de Fukushima, danificada pelo terremoto seguido de tsunami de 11 de março.

Muitos países suspenderam ou restringiram a importação de alimentos do Japão depois que a tragédia danificou a usina, provocando o vazamento de radiação às áreas próximas. A UE pediu testes de radiação para as importações de alimentos e rações do Japão.

A UE recomendou aos países do bloco que façam um maior controle de radioatividade nos alimentos importados do Japão, em seguida à catástrofe nuclear no arquipélago, segundo um porta-voz da Comissão Europeia.

Os controles são voluntários, mas, no caso haja constatação de níveis de contaminação radioativa acima do teto autorizado, os países do bloco estão obrigados a informar a Bruxelas.

A UE importou 9.000 toneladas de frutas e verduras em 2010, além de alguns tipos de pescado.

BRASIL E OUTROS PAÍSES

Na quinta-feira (31), o governo brasileiro adotou critérios mais rigorosos para a entrada dos alimentos japoneses. De acordo com nota técnica da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do Ministério da Agricultura, os produtos deverão apresentar uma declaração de autoridades sanitárias de que não contêm índices de radioatividade acima do normal.

A nota diz ainda que haverá "monitoramento aleatório" de alimentos japoneses que chegarem ao país. "Produtos que apresentarem níveis de radionuclídeos acima dos limites permitidos não serão disponibilizados ao mercado e serão devidamente descartados ou rechaçados ao Japão", informa o texto.

A nova regra será adotada apenas para produtos colhidos ou fabricados após o incidente no Japão.

Desde o terremoto e tsunami que desencadearam o desastre atômico do Japão, no início do mês, nenhum produto alimentício daquele país chegou ao Brasil. A previsão é de que os primeiros alimentos, em sua maioria pescados e chás, cheguem aqui no início de abril.

Países como França, Canadá e Nova Zelândia já adotaram medidas restritivas semelhantes.

O governo vai ainda aumentar a fiscalização dos voos vindos do Japão para evitar que passageiros ingressem no Brasil com alimentos daquele país. "Avisos sonoros nas aeronaves e aeroportos reforçarão tal orientação aos passageiros", diz a nota técnica.