Uma delegação egípcia viajará nos próximos dias ao Reino Unido, Suíça e outros países europeus para tentar recuperar os depósitos bancários do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak e de outros antigos dirigentes de seu regime. "A comissão se esforçará ao máximo para recuperar os fundos de Mubarak e de 18 antigos responsáveis de alto nível de seu regime", disse um dos subsecretários do Ministério da Justiça, Asem Al Gauhari, citado pela agência de notícias egípcia Mena.

Al Gauhari, que lidera a comissão, explicou que todos eles são "acusados de enriquecer ilicitamente graças a sua influência e seus cargos políticos". Nesse sentido, destacou que a recuperação desses depósitos bancários será feita conforme os artigos do tratado da ONU contra a corrupção.

Além disso, o responsável egípcio antecipou que a delegação adotará medidas para quebrar o sigilo bancário sobre os fundos de Mubarak e seus altos funcionários de acordo com as leis vigentes nesses países europeus. Al Gauhari disse que essa comissão foi formada pelo Conselho Supremo das Forças Armadas, que dirige o Egito desde a renúncia de Mubarak, com a aprovação do governo liderado pelo primeiro-ministro Essam Sharaf.

Em 21 de fevereiro, a Procuradoria Geral do Egito pediu ao Ministério das Relações Exteriores que tramitasse a solicitação para congelar as contas do exterior do ex-presidente, sua esposa Suzanne e seus dois filhos, Alaa e Gamal.

Protestos irradiam por norte africano e península arábica
No dia 16 de dezembro de 2010, em ato de protesto contra o governo, um jovem desempregado morreu após imolar-se em público na capital da Tunísia. Poucas semanas depois, uma onda de protestos por melhores condições varreu o país, culminando na deposição do presidente Ben Ali. Em fevereiro, o mesmo sentimento popular tomou corpo no Egito, onde a população manteve protestos massivos até a renúncia de Hosni Mubarak.

Estes feitos irradiaram pelo norte africano e pela península arábica. Na Líbia, protestos desembocaram em uma violenta guerra civil entre rebeldes e forças de Muammar Kadafi, situação que levou a comunidade internacional a intervir no país. Mais recentemente, Iêmen e Síria vêm vivendo protestos de maior vulto. Argélia, Bahrein, Jordânia, Marrocos e Omã também vêm sendo palco de contestação política.