Os aviões da coalizão estão atacando as forças terrestres do líder líbio Muammar Kadafi, principalmente as tropas que ameaçam as cidades de Mistrata (noroeste), Ajdabiya (nordeste) e Zawiya (noroeste), disse nesta quarta-feira o contra-almirante americano Gerard Hueber. "Estamos pressionando as forças terrestres de Kadafi que ameaçam as cidades", disse Hueber. Ao ser perguntado se se referia a ataques aéreos, respondeu: "Sim".

Estados Unidos, França e Grã-Bretanha executam ataques aéreos e navais contra as forças fiéis a Kadafi desde sábado, mas essas declarações confirmam que algumas tropas terrestres também são atacadas pela coalizão. "Para proteger as populações civis, de acordo com nossos sócios da coalizão, sim, atacamos as forças de Kadafi que atacam os centros populacionais", afirmou o contra-almirante em uma audioconferência a partir do Mount Whitney, um navio americano posicionado na costa da Líbia.

As tropas fiéis a Muammar Kadafi atacam principalmente as cidades de Ajdabiya, (160 km ao sul de Benghazi), Misrata (200 km a leste de Trípoli) e Zawiya (60 km a oeste de Trípoli), segundo a mesma fonte. "Em Abjabiya, as forças do regime intensificaram seus ataques dentro e fora da cidade. Em Misrata, continuam perseguindo a oposição, intensificaram suas operações e atacam civis na cidade", afirmou o oficial americano.

"Os civis inocentes devem ser protegidos, as forças de Kadafi devem cessar os ataques, deter seu avanço em Benghazi, Misrata e Zawiya e permitir o acesso à população líbia", disse, acrescentando que os civis eram "deliberadamente" considerados alvos. Os aviões da coalizão estão atacando "carros de combate, artilharia e lança-mísseis", das forças que apoiam o regime líbio, concluiu Hueber.

Líbia: de protestos contra Kadafi a guerra civil e intervenção internacional
Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Mais de um mês depois, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas.

A violência dos confrontos entre as forças de Kadafi e a resistência rebelde, durante os quais milhares morreram e multidões fugiram do país, gerou a reação da comunidade internacional. Após medidas mais simbólicas que efetivas, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a instauração de uma zona de exclusão aérea no país. Menos de 48 horas depois, no dia 21 de março, começou a ofensiva da coalizão, com ataques de França, Reino Unido e Estados Unidos.