O presidente russo, Dmitry Medvedev, disse na terça-feira ao secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, que a Rússia está preocupada com a possível morte de civis no que ele chamou de uso "indiscriminado" da força na Líbia, informou o Kremlin.
"Medvedev expressou sua preocupação sobre como a resolução do Conselho de Segurança da ONU para impor uma zona de exclusão aérea está sendo implementada, (e) possíveis mortes entre a população civil em conexão com o uso indiscriminado da força pela aviação", disse o Kremlin.
Na Eslovênia, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, declarou que todos os responsáveis por vitimar civis na Líbia deveriam rezar pela salvação de suas próprias almas. Putin também rejeitou que houvesse um conflito com Medvedev sobre a resolução do conselho da Organização das Nações Unidas que autorizou uma intervenção armada na Líbia, dizendo que o presidente é responsável pela política externa.
Rússia, Brasil, China, Índia e Alemanha se abstiveram na votação da resolução na semana passada, enquanto 10 países votaram a favor da intervenção na Líbia.
Líbia: de protestos contra Kadafi a guerra civil e intervenção internacional
Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Mais de um mês depois, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas.
A violência dos confrontos entre as forças de Kadafi e a resistência rebelde, durante os quais milhares morreram e multidões fugiram do país, gerou a reação da comunidade internacional. Após medidas mais simbólicas que efetivas, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a instauração de uma zona de exclusão aérea no país. Menos de 48 horas depois, no dia 21 de março, começou a ofensiva da coalizão, com ataques de França, Reino Unido e Estados Unidos.