Os trabalhos para restaurar a energia e as funções de resfriamento da usina nuclear de Fukushima, no Japão, foram interrompidos novamente nesta quarta-feira (23) por causa de uma nova fumaça vista saindo do reator 3, informam as agências japonesas Kyodo e NHK.

A operadora da usina Tokyo Electric Power Company (Tepco) informou que a fumaça foi atenuada na última hora. Mesmo assim, o chefe de gabinete da Presidência, Yukio Edano, pediu que os moradores de áreas próximas à fábrica fiquem em casa e evitem a exposição ao ar, já que o vento dispersou a fumaça tóxica.

Existe o receio, agora, que essa poluição radioativa chegue à capital Tóquio, cujos moradores já foram proibidos de dar água da torneira às crianças, por receio de contaminação.

Segundo a Kyodo, o nível de radiação não foi alterado logo depois que a fumaça foi vista, significando que não se escapou uma quantidade considerável de material radioativo. Nesta segunda-feira (21), o mesmo problema foi constatado no reator 3, um dos mais problemáticos dos seis que apresentaram disfunções em Fukushima.

Água na capital está inapropriada para crianças

Em Tóquio, a concentração de iodo na usina de água de Kanamachi - que abastece as regiões central e oeste da capital japonesa - é de 210 becquerel por kg, acima do limite de 100 becquerel por kg considerado seguro para as crianças.

A estação de energia foi prejudicada pelo terremoto de 9 graus na escala Richter, seguido de tsunami, em 11 de março.

Na usina de Fukushima, todos os seis reatores foram reconectados à energia externa a partir desta terça-feira (22) e os trabalhadores lutam para verificar se cada parte do equipamento, tais como os de medição e bombas de água, estão em bom funcionamento antes de religar a energia elétrica em toda a fábrica.

Com o terremoto, os reatores de Fukushima foram desligados automaticamente e o tsunami, que veio em seguida, prejudicou o processo de bombear água para resfriar o núcleo produtor de energia nuclear. Sem resfriamento, o material radioativo se aquece a ponto de escapar para a atmosfera.
Mortos e desaparecidos passam de 24 mil

O número de mortos e desaparecidos na tragédia que devastou o nordeste do Japão superou a marca de 24 mil, segundo o balanço mais recente da polícia.

De acordo com a polícia, foram confirmadas 9.408 mortes. Além disso, 14.716 pessoas estão oficialmente desaparecidas e 2.746 ficaram feridas. Milhares de refugiados estão abrigados em instalações provisórias.

O governo japonês, no entanto, diz que o número de mortos deve aumentar nos próximos dias.

Este é o maior desastre natural ocorrido no Japão desde o terremoto de Kanto em 1923, no qual morreram 142 mil pessoas.