Em apenas três meses, a cidade do Rio de Janeiro teve 8.315 casos de dengue, mais que o total dos anos de 2009 e 2010 juntos (5.843), segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, divulgados nesta terça-feira (22).

O alerta da dengue já chegou à zona sul do Rio de Janeiro. O bairro Cosme Velho, onde moram cerca de 7.300 moradores, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apresenta proporção de 314 casos por cada cem mil habitantes. A taxa acima de 300 já é indício de surto. Porém, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a evolução de estado de alerta para surto é avaliada de acordo com os números de casos da doença nas últimas cinco semanas. O bairro apresentou uma queda neste índice, de 15 notificações em fevereiro para oito em março. Por isso, segundo a secretaria, não dá para afirmar que há surto de dengue no Cosme Velho.

Em Paquetá, na zona norte, desde o início do ano, foram notificados 12 casos de dengue. De janeiro para fevereiro, o número dobrou, de quatro para oito. Em março, nenhum caso foi registrado. Mas a taxa de incidência ainda é alta: 324 por cada cem mil habitantes.

Outro bairro que ainda apresenta uma alta proporção para cada cem mil habitantes é Santa Teresa, com 352 casos notificados. Desde janeiro, a secretaria registrou 138 casos. O bairro não apresenta mais surto da doença, pois o número de casos diminui de fevereiro, com 99, para 12 em março.

Apesar da redução no número de contaminados, o infectologista e professor da Faculdade de Medicina da UFF (Universidade Federal Fluminense), Ralph Ferreira, reforça os cuidados que a população precisa ter ao diagnosticar a doença.

- Antes de mais nada, é preciso evitar a proliferação do mosquito. Quando aparecer algum sintoma, como febre, dor de cabeça, dor muscular, dor abdominal e diarréia, é necessário procurar um médico imediatamente. O repouso e a hidratação são fundamentais. É necessário evitar alguns remédios como a novalgina, por exemplo, para não piorar o quadro.

Zona norte concentra surtos

A situação é considerada grave em Cocotá, na Ilha do Governador, onde foram registrados 24 casos de dengue (o índice de contaminação é de 457 por cada cem mil habitantes); em Bonsucesso, onde 106 casos da doença foram registrados (o índice de contaminação é de 585 por cada cem mil habitantes); em Acari, onde foram confirmados 105 casos (o índice de contaminação é de 390 por cada cem mil habitantes); Rio Comprido, onde há 110 casos (com índice de 353 por cada cem mil habitantes); e no Catumbi, onde há 80 registros (e o índice de contaminação é de 617 por cada cem mil habitantes).

Outra região que apresenta surto de dengue é a zona oeste. Pedra de Guaratiba tem 140 casos da doença (o índice de contaminação é de 1.187 por cada cem mil habitantes); em Barra de Guaratiba, há 41 notificações (o índice de contaminação é de 908 por cada cem mil habitantes); e em Anil foram registrados 130 casos (o índice de contaminação é de 538 por cada cem mil habitantes).

A região central da cidade também está na mira do mosquito Aedes aegypti. O bairro Saúde registrou, desde o início do ano, 15 casos de dengue (o índice de contaminação é de 746 por cada cem mil habitantes). O Centro apresenta o maior número de pessoas contaminadas: foram registradas 177 ocorrências desde janeiro (e o índice de contaminação é de 530 por cada cem mil habitantes). O Santo Cristo apresenta 34 casos (a proporção é de 385 por cada cem mil habitantes).