Durante reunião com as centrais sindicais nesta sexta-feira (11), a presidente Dilma Rousseff se comprometeu a estudar uma política de correção da tabela do Imposto de Renda para os próximos quatro anos de seu governo.
Segundo participantes do encontro, a presidente aceitou a proposta das centrais, em reajustar as faixas de rendimento de acordo com a meta de inflação, atualmente em 4,5%. Com a medida, quem recebe aumentos salariais pode permanecer pagando porcentagens mais baixas do tributo ou mesmo continuar isento.
Ainda segundo interlocutores, a presidente deve fechar a proposta com a equipe econômica nos próximos dias, para depois enviar uma medida provisória para o Congresso.
Desde a discussão do novo salário mínimo, as centrais sindicais reivindicavam a correção na tabela do IR. Chegaram a defender um reajuste de 6,47% em 2011, referente à inflação real medida no ano passado. O centro da meta é que o governo planeja atingir ao final de cada ano.
As duas opções foram apresentadas a Dilma, mas acabou prevalecendo um reajuste fixo. Para as centrais, a política permanente é vantagem, já que nem todos os anos a tabela é corrigida.
Mesa de negociação
Em entrevista à imprensa após a reunião, os representantes das centrais tinham discurso de satisfação. Informaram que, a partir de agora, a presidente irá reunir-se com os sindicalistas todos os meses, numa “mesa permanente de negociação”.
A primeira reunião, com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, deverá tratar do processo de “desindustrialização” do país.
Com a baixa do dólar e a crescente produção tecnológica da China, os industriais brasileiros temem uma quebradeira generalizada das fábricas nacionais.
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Nas próximas reuniões, disseram os sindicalistas, deverão entrar temas mais espinhosos, como o fim do fator previdenciário, a redução da jornada de trabalho e benefícios para aposentados.
Outra proposta polêmica, apresentada pela CUT é o fim do imposto sindical. Todo mês de março o trabalhador, sindicalizado ou não, tem descontado do salário um dia de trabalho, obrigatoriamente. O bolo é passado diretamente para as centrais.
A CUT (Central Única dos Trabalhadores), ligada ao PT, é a principal patrocinadora da mudança. A ideia é substituir o imposto por uma contribuição “negocial”, em que cada sindicato negociaria separadamente como seria a dedução de sua categoria.