O Ministério Público Federal entrou nesta quinta-feira (10) no STF (Supremo Tribunal Federal) com um pedido para investigar a deputada federal Jaqueline Roriz, filha do ex-governador do DF Joaquim Roriz. Recém-eleita para o posto, Jaqueline foi flagrada em vídeo recebendo maços de dinheiro do pivô do escândalo conhecido como mensalão do DEM, Durval Barbosa.

Devido ao fato de Jaqueline ter foro privilegiado por ser deputada federal, o Supremo precisa autorizar a abertura de inquérito para investigá-la. No pedido, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, solicita que Jaqueline seja investigada por crimes praticados contra a administração e peculato. O pedido foi distribuído ao ministro Joaquim Barbosa.

O vídeo, divulgado na última sexta-feira pelo site do jornal O Estado de S. Paulo, mostra Durval entregando o dinheiro – R$ 50 mil, de acordo com o Estado – à deputada, que está acompanhada do marido, Manoel Neto. De acordo com o site do jornal, o vídeo foi gravado em 2006, quando Jaqueline era candidata a deputada distrital pelo PSDB.

As investigações do mensalão do DEM se tornaram públicas no fim de 2009, após a Polícia Federal deflagrar a operação Caixa de Pandora, que investiga um suposto esquema de arrecadação e pagamento de propina comandado pelo então governador do DF José Roberto Arruda, apadrinhado político de Joaquim Roriz que posteriormente rompeu com o ex-governador. Arruda, que ficou preso por dois meses após a tentativa de suborno de uma testemunha, sempre negou envolvimento no caso.


Além do governador, o escândalo envolveu secretários do DF, auxiliares de Arruda, e deputados distritais que recebiam dinheiro a partir das mãos de Barbosa. Agora, com a filha de Roriz, então candidata a distrital, aparecendo no vídeo, amplia-se o círculo de envolvidos.

Na gravação, o marido de Jaqueline reclama com Barbosa quando o ex-secretário diz que as remessas ficariam entre três e cinco, e não em seis, como inicialmente combinado. "Rapaz, não é fácil ser candidato. Resolve isso para mim cara!", diz