Os rebeldes antigoverno da Líbia disseram nesta terça-feira (8) que não vão tentar processar o ditador da Líbia, Muammar Kadhafi, se ele renunciar nas próximas 72 horas, disse o chefe do Conselho Nacional Líbio.

"Se ele deixar a Líbia imediatamente, em 72 horas, e parar o bombardeio, nós, como líbios, desistiremos de processá-lo por crimes", disse Mustafa Abdel Jalil, que é ex-ministro da Justiça, em entrevista por telefone à TV Al Jazeera.

O ultimato é feito em meio a relatos de que Kadhafi teria tentado uma negociação com os rebeldes baseados em Benghazi.

governo negou a negociação, segundo a rede Al Arabiya e a agência France Presse.

Na véspera, a TV árabe Al Jazeera relatou que o ditador propôs aos rebeldes da Líbia um encontro com parlamentares para pavimentar o caminho para que ele deixe o poder com certas garantias, após três semanas de violentos confrontos que já deixaram milhares de mortos e uma situação de caos humanitário no país do norte da África.

Ainda de acordo com a emissora, os rebeldes teriam rejeitado a oferta de Kadhafi por considerarem que uma saída "honrosa" do ditador seria considerada ofensiva às suas vítimas.

Novos confrontos
Os confrontos pelo país continuavam nesta terça, com relatos de disparos de artilharia em Zawiyah e notícias contraditórias sobre ataques das forças leais ao governo em Ras Lanuf, cidade portuária do leste tomada pelos rebeldes.

Um caça do regime líbio executou um ataque no deserto ao leste do porto.

O avião lançou um míssil oito quilômetros ao leste da localidade estratégica, que fica 300 km ao sudoeste do reduto da oposição em Benghazi e é controlada desde sexta-feira pelos insurgentes. Um prédio de dois andares, segundo testemunhas, mas não se sabe se houve vítimas.

A oposição teria assumido o controle de Zenten, 120 km ao sudoeste de Trípoli, mas as forças leais a Kadhafi estavam mobilizadas ao redor da localidade, informou uma testemunha à France Presse por telefone. No domingo à noite foram registrados combates entre insurgentes e soldados ao norte da cidade.

Possibilidade de ação militar
O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou na segunda que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) está avaliando opções militares em resposta à situação política da Líbia.

Obama afirmou que a Otan deve se reunir em Bruxelas para discutir uma reação à violência na Líbia, incluindo ações militares, e afirmou ter dado sua autorização a uma ajuda extra de US$ 15 milhões para operações humanitárias ligadas à crise.

O porta-voz da Casa Branca Jay Carney também afirmou nesta segunda que armar os rebeldes que lutam contra o governo do ditador Muammar Kadhafi é uma das muitas opções que os Estados Unidos estão considerando para a Líbia.

Segundo Carney, a Casa Branca estava se movimentando rapidamente para "avaliar as opções para lidar com a crise política no país", mas os Estados Unidos não querem se colocar à frente dos eventos.

Liga Árabe
Os chanceleres árabes participarão em uma reunião de crise sobre a escalada da violência na Líbia na próxima sexta, anunciou a Liga Árabe.