O forte crescimento de 7,5% da economia brasileira registrado em 2010 tem dois motivos principais: o fraco desempenho registrado um ano antes e os estímulos dados pelo governo. Essas são as opiniões de dois economistas ouvidos pelo UOL Economia.
“A economia cresceu tanto porque a base de comparação é muito baixa”, afirma o economista Antonio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP.
Como o crescimento de 2010 foi calculado com base em 2009, ano em que o PIB (Produto Interno Bruto) recuou 0,6% em meio à crise financeira internacional, seu desempenho acabou sendo superior ao observado em anos anteriores.
Além disso, o governo adotou diversas medidas para impulsionar o consumo e reaquecer a economia, como as reduções dos juros e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
“O crescimento de 2010 se deu, primeiro, porque o governo tomou medidas para acelerar os gastos públicos. Segundo, porque ele usou os bancos públicos para suprir a escassez de crédito nos bancos privados, decorrente da crise de 2008 e 2009. E terceiro, porque ele baixou impostos de vários produtos como automóveis e material de construção”, diz Lacerda.
Para José Ricardo da Costa e Silva, economista e professor do Ibmec-DF, o governo pode ter exagerado a mão ao estimular a economia.
“As medidas do governo fizeram não só com que a economia saísse da crise, mas também estimularam um crescimento acima do que a gente deveria ver”, afirma.
Desacelerando
O próprio ministro da Fazendo, Guido Mantega, declarou nesta semana que o crescimento de 2010 não é sustentável e que o país deveria crescer 5%.
Para reduzir esse ritmo, o governo federal anunciou um corte estimado em R$ 50 bilhões em seu Orçamento para este ano. A intenção é retirar esse montante da economia nacional e, com isso, reduzir seu crescimento.
Outra medida adotada tem sido subir os juros. Nesta quarta-feira (2), o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu elevar a taxa básica de juros (a Selic) para 11,75% ao ano.