A secretaria de Saúde do Estado vai reajustar em 22% o valor da bolsa paga aos médicos residentes que atuam em hospitais estaduais e instituições que tenham convênio com o SUS (Sistema Único de Saúde) firmado com o Estado. O benefício vai de R$ 1.916,46 para R$ 2.338,06. O reajuste é devido a uma Medida Provisória de dezembro de 2010. Para a categoria, o aumento é insuficiente.
O médicos residentes entraram em greve no ano passado reivindicando reajuste na bolsa além de benefícios como moradia. O aumento reivindicado era de 29% baseado em cálculos que levavam em conta a inflação, de acordo com Alexandre Chang, diretor de comunicação da Associação Nacional dos Médicos Residentes. No acordo final com o governo federal, o valor ficou em 22%.
Chang critica a Medida Provisória que concedeu o aumento à categoria. "Foi um golpe contra os residentes. Deu com uma mão e tirou com a outra, no apagar das luzes", diz. A MP foi assinada no dia 31 de dezembro, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A principal crítica da associação diz respeito ao benefício da moradia para os residentes. Segundo Chang, antes as instituições deveriam fornecer moradia ao residente. Com o novo texto, elas devem oferecer "condições adequadas para repouso e higiene pessoal durante os plantões".
"O reajuste representa cerca de R$ 300, mas tirando a moradia, principalmente em São Paulo, onde os aluguéis são caros, perdemos mais do que ganhamos", afirma Chang.
Além do aumento, o governo do Estado prevê mais 203 vagas para residentes, chegando a um total de 5.051.
Segundo a secretaria de Saúde, o impacto anual na folha salarial do Estado foi calculado em cerca de R$ 32,2 milhões e subirá de R$ 115,3 milhões para R$ 147,5 milhões.
Os residentes matriculados em instituições próprias da estrutura da secretaria recebem o valor integral pela pasta. Aos matriculados em autarquias e instituições conveniadas ou vinculadas, o órgão para 84,8% da bolsa e as próprias instituições arcam com os 15,2% restantes.