O filho do líder líbio Muammar Kadafi, Seif el Islam Kadafi, reconheceu neste sábado em uma entrevista à emissora Al-Arabiya que existiram "erros na gestão da crise" do país e assegurou que "é preciso uma negociação amistosa para fazer uma nova Líbia".

Seif al-Islam afirmou que os manifestantes que tentam derrubar Kadafi estão sendo manipulados e que a situação "abriu as portas para uma guerra civil".

"Nossos irmãos árabes pagam salários mensais a jornalistas e dizem para eles escreverem e incitarem (protestos) contra a Líbia, para que escrevam contra Muammar Kadafi", afirmou à emissora sediada em Dubai.

Seif al-Islam Kadafi disse que "três quartos do país estão vivendo em paz" e que a "situação é excelente".

Ele negou que mercenários africanos tenham sido recrutados para derrubar os protestos. "Mostrem os mercenários, mostrem as mulheres e crianças que estão sendo mortas", disse.

O filho de Kadafi, apresentado até o início da revolta como o futuro sucessor de seu pai, admitiu que existe uma "vontade interna de mudança" na Líbia, mas denunciou "a incitação que vem do estrangeiro".

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta do que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que Força Aérea líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.