A nova chefe de Polícia Civil do Rio, delegada Martha Rocha, afirmou na tarde desta quarta-feira que deve mudar a cúpula da instituição. Ela ainda não definiu os nomes que ocuparão cargos de confiança.
Ela afirmou, em entrevista ao telejornal RJTV, da TV Globo, que os delegados Ronaldo e Rodrigo Oliveira, diretor do DPGE (Departamento Geral de Polícia Especializada) e subchefe Operacional, respectivamente, não continuarão em seus cargos.
"Estou conversando com algumas pessoas. Agradeço o trabalho que eles [Ronaldo e Rodrigo Oliveira] fizeram nesses departamentos", disse Rocha.
Ela disse que passou a manhã conversando com delegados que devem compor a nova cúpula da Polícia Civil.
Ela afirmou que vai ouvir a Corregedoria para saber se vai manter o cartório da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas) fechada, medida tomada pelo ex-chefe Allan Turnowski.
CRISE
Rocha assumiu a chefia da Polícia Civil do Rio na terça-feira (15) à noite, após a saída de Allan Turnowski na manhã de ontem.
A saída de Turnowski foi definida em reunião com o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, após quatro dias de crise na instituição. Segundo nota emitida pela secretaria, os dois concluíram que a saída de Turnowski era a mais adequada para "preservar o bom funcionamento das instituições".
A posição de Turnowski à frente da Polícia Civil ficou desgastada após a operação Guilhotina, desencadeada pela PF (Polícia Federal).
A operação da PF teve como alvo 32 policiais civis e militares, dos quais 30 já estão presos e outros dois foragidos. O principal preso, o delegado Carlos Oliveira, foi, até agosto do ano passado, subchefe de Polícia Civil. Há anos, é apontado como braço-direito de Turnowski.
Na segunda-feira (14), Turnowski decidiu fechar a Draco (Delegacia de Combate ao Crime Organizado), alegando ter recebido carta anônima com denúncias de corrupção, e que investigaria a delegacia.
A Draco é chefiada pelo delegado Cláudio Ferraz, ligado a Beltrame e desafeto de Turnowski. Ferraz admitiu que contribui para a PF durante a operação Guilhotina.
Em nota, Turnowski agradeceu ao governador Sérgio Cabral (PMDB) e a Beltrame pelo tempo em que comandou a Polícia Civil. "Tenho certeza que esta é a melhor decisão para o momento", afirmou ele.
Turnowski, que já foi ouvido informalmente pela Polícia Federal, será ouvido novamente pela instituição ainda nesta semana no inquérito sobre a operação.
Testemunhas afirmaram que o ex-chefe recebeu propina do suposto esquema de policiais. O delegado nega.