O Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito, que assumiu o poder político do país após a renúncia do ex-líder Hosni Mubarak, se comprometeu neste sábado, em comunicado, a "transferir pacificamente o poder, no marco de um sistema democrático, a uma autoridade civil".

Em discurso televisionado, o porta-voz do Conselho leu um comunicado - o quarto divulgado nas últimas 48 horas - no qual indica que os militares pedem ao atual Executivo e aos governadores do país que realizem suas funções "até a formação de um novo governo".

A nota aborda, em seis pontos, as próximas atuações do Conselho Supremo das Forças Armadas, que comanda o país desde a renúncia de Mubarak nesta sexta-feira, anunciada pelo vice-presidente egípcio, Omar Suleiman.

"O Conselho almeja a transferência pacífica do poder, no marco de um sistema democrático livre, a uma autoridade civil escolhida para governar o país e construir um estado democrático e livre", expressa o quarto ponto do comunicado lido pelo porta-voz.

O texto também reafirma o "compromisso da República Árabe do Egito com todos os acordos e tratados regionais e internacionais". A cúpula militar, que diz estar comprometida com "todos seus comunicados anteriores", destaca sua "confiança na capacidade, nas instituições e no povo do Egito para superar as delicadas circunstâncias atuais".

Para isso, ela pede a todas as instituições estatais e privadas que levem adiante sua "missão patriota para impulsionar o processo econômico em tranquilidade".

O Conselho também faz um apelo à população para que ela colabore com as forças de segurança "em amizade e cooperação entre todos", e solicita às forças de segurança que honrem o lema "a Polícia a serviço do povo".

Após 18 dias de protestos, Mubarak renuncia
Começou no dia 25 de janeiro - uma data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet, com o uso da hashtag #Jan25 no Twitter. Naquela terça-feira, os egípcios começaram uma jornada que durou 18 dias e derrubou o presidente Hosni Mubarak. Naquele momento, o líder que estava no poder há 30 anos ainda tinha poderes. No dia 28, ele cortou o acesso à internet e declarou toque de recolher. As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não iria renunciar. Em pronunciamento, disse apenas que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população.

No dia 29, uma nova administração foi anunciada. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram. A repressão continuou, e Mubarak colocou a polícia antimotins nas ruas novamente. Nada adiantava. A população aderia em número cada vez maior às manifestações, e a oposição começava a se movimentar. A nova cartada do líder de 82 anos foi anunciar que não participaria das próximas eleições. Mais uma vez sem sucesso. No dia 2 de fevereiro, manifestantes pró e contra Mubarak travaram uma batalha campal na praça Tahrir com pedras, paus, facas e barras de ferro. Depois, houve perseguição a jornalistas.

Os dias subsequentes foram de diálogo e protestos pacíficos. No 17º dia de protestos, centenas de milhares receberam no centro do Cairo a notícia de que o líder poderia, finalmente, renunciar. O esperado pronunciamento se transformou em um balde de água fria quando Mubarak disse que não renunciaria, apesar de passar alguns poderes ao vice, Omar Suleiman. A fúria tomou conta da praça Tahrir, e ninguém levantou acampamento. Por fim, no final da tarde da sexta-feira, dia 11 de fevereiro, Suleiman, em um rápido pronunciamento na TV estatal, informou que Mubarak renunciava, abrindo um novo capítulo na história do Egito