A tão esperada renúncia de Hosni Mubarak nesta sexta-feira (18) deixou o país à beira da incerteza sobre quem realmente irá governar o país. O secretário geral da Liga Árabe, Amre Moussa, disse à rede CNN que o Conselho das Forças Armadas controlará o governo.
Não há, no entanto, nenhuma informação oficial confirmada, até o momento, a respeito de como será feita a transição do regime.
Também não se sabe ainda se o vice-presidente, Omar Suleiman, continuará no posto e participará do governo provisório, já que ele deixou dúvidas sobre isso em seu discurso.
- Nessas difíceis circunstâncias que o país está atravessando, o presidente Hosni Mubarak decidiu deixar sua posição na Presidência. Ele encarregou o Conselho das Forças Armadas de dirigir as questões de Estado
O general Samah Seif el Yazal, um alto militar da reserva, disse à rede BBC que há duas opções para o Conselho das Forças Armadas neste momento.
- A primeira é pedir ao atual governo [de Suleiman] que dirija o país por um período provisório de quem sabe um ano. A outra opção é os militares assumirem o governo do país por meio de um comitê. Nós estamos muito ansiosos para ouvir o que eles pretendem fazer.
A possibilidade de o Exército assumir o poder já vinha sendo cogitada nos últimos dias, já que as Forças Armadas são a mais importante instituição do país desde a independência, em 1953. Os militares foram protagonistas em todos os governos egípcios desde então.
A renúncia de Mubarak aparentemente não tira os poderes delegados por ele ao vice Suleiman, nesta quinta-feira. No anúncio pela TV, no qual era esperada sua renúncia, Mubarak disse que a transição do regime seria comandada pelo vice.
Perda de apoio dos militares foi crucial para a queda
Desde sua independência, em 1953, o Egito é um país estruturado no poder do Exército. Todos os presidentes foram militares. Mas após 30 anos de regime, a opinião no quartel não parecia ser toda favorável a Mubarak.
Pouco a pouco, as divisões nas Forças Armadas começaram a aparecer. O anúncio de que o Exército poderia reprimir os manifestantes nos protestos desta sexta-feira (11) parece colocado os militares contra a parede e forçado que eles definissem de que lado estavam. Nos últimos dias, as negociações eram feitas pelo vice-presidente, o militar Omar Suleiman, nomeado após 30 anos de cargo vago.
Após 18 dias de protestos, mais de 300 mortos (segundo a ONU), a revolta que explodiu inspirada na Revolução de Jasmim na Tunísia (que dias antes também derrubou o regime autoritário vizinho) atingiu seu primeiro objetivo – derrubar Mubarak. O golpe final, mais uma vez, parece ter sido dado pelo Exército, que ficou do lado dos manifestantes.