O Exército egípcio se comprometeu a garantir as reformas anunciadas pelo regime de Hosni Mubarak e pediu o fim da revolta popular, mas não conseguiu acalmar o clamor das ruas, que nesta sexta-feira, dia de oração muçulmana, devem ser cenário de novos protestos.
O Exército anunciou nesta sexta-feira que garantirá as reformas democráticas prometidas pelo regime do presidente Hosni Mubarak, entre elas "eleições livres e transparentes", ao mesmo tempo em que pediu ao país que retorne à normalidade, advertindo contra qualquer ataque à segurança nacional.
Em um comunicado lido por um apresentador na televisão pública e por um coronel do Exército para os manifestantes reunidos em frente ao Palácio Presidencial, o conselho supremo das Forças Armadas assegurou que garante as reformas prometidas por Mubarak, que na véspera anunciou sua intenção de manter-se no cargo apesar da rebelião, que exige sua renúncia.
Os manifestantes expressaram revolta pelo apoio dos militares à tentativa de Mubarak de permanecer no poder.
As pessoas reunidas diante do palácio tinham a esperança de que os militares atuassem para derrubar o presidente de 82 anos, que está há três décadas no poder. Um deles tirou o microfone do oficial para criticar a atitude.
"Vocês nos decepcionaram, vocês eram nossa esperança", afirmou, em meio aos gritos da multidão contra Mubarak.
"Não, não, isto não é um golpe", protestou o coronel, antes de insistir que o Exército não tomaria o poder, mas se esforçaria para garantir que a vontade popular seja refletida no programa do regime civil.
Para irritação e frustração dos manifestantes, Mubarak afirmou na quinta-feira que delegará poderes a seu vice-presidente, Omar Suleiman, mas não se afastará do cargo até setembro, quando ocorrerão as eleições gerais - para as quais ele prometeu que não se candidatará.
O Exército indicou ainda que garantirá a organização de "eleições livres e transparentes, segundo as emendas constitucionais decididas" e advertiu "contra qualquer ataque à segurança da nação e dos cidadãos".
O conselho também "destacou a necessidade de um retorno ao trabalho nos estabelecimentos do Estado e de um retorno à vida normal", em um esforço para pôr fim à rebelião popular sem precedentes que há 18 dias exige o fim do regime de Mubarak.
Coincidindo com o feriado muçulmano, nesta sexta-feira - que já está sendo chamada de "Sexta-feira da Ira" pelos manifestantes - foi convocada um novo protesto após as orações do meio-dia (8H00 de Brasília), que deve ser gigantesco e cujo resultado provoca temores de uma nova onda de violência.
Na Praça Tahrir (Libertação) do Cairo, centro nervoso dos protestos contra o regime de Mubarak, milhares de pessoas passaram a noite na rua indignadas com a obstinação do presidente, que se agarra ao poder.
O número de barracas na praça aumenta a cada dia. Durante a madrugada, os manifestantes discursaram e gritaram frases contra o regime.