O diretor do Departamento Estadual de Administração Penal de Santa Catarina (Deap), Adércio Velter, disse na tarde desta terça-feira que o centro de triagem, de onde 79 detentos conseguiram escapar, é uma "unidade segura". No entanto, ele não afastou as hipóteses de facilitação para a realização da maior fuga já registrada no sistema carcerário catarinense.

Os dois agentes que trabalhavam na noite em que ocorreu a fuga, nesta segunda-feira, foram afastados das funções e já prestaram depoimentos junto à Corregedoria do Deap. "Um se negou a falar e o outro se demonstrou muito nervoso pelo fato de ter sido mantido como refém por alguns instantes", disse Velter. Ambos foram rendidos pelos presos e algemados em uma grade, apenas de cuecas.

Para o diretor, a fuga ocorreu por uma falha e não por problemas nas instalações do centro de triagem. Inaugurada há pouco mais de um mês, a unidade vinha sofrendo críticas dos próprios agentes, que apontavam problemas de segurança. "Algumas adequações serão realizadas no centro de triagem, mas adianto que o problema não ocorreu nas instalações. Foi uma falha humana", afirmou o diretor. Uma sindicância, que deve ser concluída em 30 dias, irá apurar se foi uma falha, imperícia ou se houve facilitação de fuga mediante corrupção.

Segundo Adércio, as celas estavam intactas, o que comprovaria que não houve arrombamento por parte dos presos. "As celas foram simplesmente abertas, segundo os próprios presos nos informaram", disse.

O centro de triagem, cuja construção custou R$ 2,6 milhões, tem capacidade para 216 detentos. Até ontem, 201 permaneciam no local. Entre os fugitivos, estão criminosos de alta periculosidade, inclusive o autor do assassinato de um policial do Bope, ocorrido em 2010 na cidade de Tijucas.

Todo o complexo penitenciário, que ainda abriga o Hospital de Custódia e os presídios masculino e feminino, conta com 1,7 mil detentos. Duzentos agentes prisionais fazem a segurança do local. "Há dez anos não temos rebeliões ou grandes fugas no complexo, o problema desta segunda-feira ocorreu no centro de triagem, devido a um fato isolado que estamos apurando", disse Adércio.

Vinte e sete homens permanecem foragidos desde a noite desta segunda-feira. Foi a maior fuga registrada em Santa Catarina. Anteriormente, o recorde era do antigo centro de triagem localizado no bairro Estreito, de onde 74 presos escaparam em 2009.