O incêndio em quatro dos 14 barracões da Cidade do Samba, na manhã dessa segunda-feira (7), provocou prejuízo estimado de R$ 20 milhões para Grande Rio, União da Ilha e Portela. A escola de Duque de Caxias, que estava com 98% do trabalho pronto, foi a mais castigada. Materiais como espuma e isopor, que compunham grande parte das alegorias, facilitaram que as chamas se alastrassem.

Os presidentes das escolas acompanharam de perto o trabalho dos bombeiros e choraram, assim como as comunidades envolvidas. "Estou desolado! Meu Carnaval estava pronto!", disse, aos prantos, o presidente da Grande Rio, Helinho de Oliveira. Além de oito alegorias, a Tricolor da Baixada ainda viu 3.200 fantasias prontas virarem cinzas. Entre elas, estavam as da ala das baianas e da comissão de frente.

"Perdemos rigorosamente tudo! Salvamos apenas as roupas de cinco alas e do casal de mestre-sala e porta-bandeira, que não eram feitas aqui no barracão", lamentou o carnavalesco da Grande Rio, Cahê Rodrigues.

Catarinenses se mobilizam
Além do prejuízo de R$ 9 milhões, a escola caxiense amarga perdas financeiras no que diz respeito aos cuidados com o barracão, um dos mais bem-estruturados da Cidade do Samba, com ar-condicionado central. A prefeitura de Florianópolis, capital homenageada no enredo da Grande Rio, pediu recursos ao governo de Santa Catarina para auxiliar a refazer o desfile.

Na Portela, as oito alegorias foram salvas. As chamas que atingiram o barracão se concentraram no quarto andar, onde funcionam o ateliê e o maquinário que produz fantasias. Por isso, 2.500 roupas foram destruídas. Mais de R$ 4,5 milhões tinham sido gastos. "Será difícil encontrar material por um bom preço para refazer tudo o que foi perdido. A escola não vai apresentar o Carnaval que havíamos projetado, mas seremos dignos", destacou o carnavalesco Roberto Szaniecki.

Além de 2.400 fantasias, a União da Ilha também viu sua principal alegoria ser consumida pelo fogo. O 4º carro, batizado de Aranha, será refeito. A intenção era de que inúmeras articulações simulassem que o aracnídeo estivesse caminhando pela Sapucaí. "Vou negociar para comprar materiais e pagar no ano que vem. Vamos reconstruir nosso Carnaval e brigar pelo campeonato", prometeu o diretor de Carnaval, Márcio André.