A queda verificada no Índice de Confiança de Serviços (ICS) em janeiro, de 3% na comparação com dezembro, sugere uma acomodação da atividade do setor para o ano, de acordo com o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Silvio Sales. O indicador, que oscila entre zero e 200 pontos, terminou o mês a 128,2 pontos.

A queda de 3% foi a maior desde janeiro de 2009, quando o índice registrou retração de 4,2%, ainda sob os efeitos da crise financeira internacional.

No entanto, a tendência para os próximos meses não deve ser de trajetória negativa para o indicador, já que o setor se articula com a situação geral da economia brasileira, por praticamente todo voltado para mercado interno. Segundo Sales, os indicadores do mercado de trabalho e de rendimento médio dos salários do trabalhador ainda estão fortes.

'As condições para que os serviços continuem tendo um bom desempenho estão mantidas', ressaltou.

O Índice de Confiança foi derrubado pela percepção da situação atual (ISA), que em dezembro teve a maior queda desde o ápice da crise financeira internacional, quando o pessimismo era grande. A retração de 12,2% ficou atrás apenas da queda de 20,7% registrada em janeiro de 2009.

O economista da FGV lembrou também que a queda parte de uma base muito elevada, já que em dezembro o patamar de 128,9 pontos foi o mais alto de toda a série histórica, iniciada em junho de 2008. Apesar de a série histórica ainda ser curta, o pesquisador da FGV disse haver demonstrações de efeitos sazonais, já que no final do ano o setor de serviços é sempre mais aquecido do que no início, devido às festas de natal e Ano Novo.

A retração do ISA foi generalizada em janeiro, pelos sete setores pesquisados, entre serviços prestados a empresas, a famílias e serviços de transportes.

'Houve um sutil aumento dos pessimistas, mas o crescimento mais marcante foi na faixa de quem espera por estabilidade nos negócios. A queda dos otimistas não assusta, mas a generalização sugere certa acomodação da atividade do setor, que já é esperada para a economia como um todo', disse.

A generalização da queda de otimismo em relação à situação atual foi em parte compensada pela percepção dos empresários do setor de serviços em relação à tendência dos negócios para os próximos seus meses e ante a demanda prevista para o trimestre seguinte, medidos pelo índice de expectativas (IE).

Em janeiro, o IE teve alta de 5,6%. O avanço é resultado de otimismo generalizado com relação ao futuro entre empresários que prestam serviços a empresas, serviços de informação, de atividades imobiliárias e de transporte, entre outros.