A população alagoana ainda espera o resultado da justiça com relação a um dos maiores esquemas de desvio de dinheiro público  na história política do Estado, praticado por deputados, descoberto através da uma Operação da Polícia Federal, chamada de Taturana onde o desvio ultrapassou R$ 320 milhões.

O juiz que analisa os processos, Gustavo Souza Lima, explicou ao CadaMinuto que o caso pode demorar mais dois anos para ser colocado em julgamento. Lima, falou também sobre o retorno do deputado Antônio Albuquerque a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa.

Gustavo Lima se diz vítima da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas, (OAB/AL) e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que prometeram responsabilizar o juiz com uma representação no CNJ devido não aceitar novos processos do caso taturana.

“O que gerou as manifestações de Dr. Omar Coelho e Dr. Adriano Argolo foi a minha decisão, afirmando que não podia funcionar nesse três processos novos, foi isso que gerou toda polêmica, em nenhum momento me afastei dos processos para os quais fui designado, Pelo contrário continuei neles, que por sinal estão em dia”, disparou Gustavo Lima.

De acordo com o magistrado estes novos processos sugiram após o Tribunal de Justiça lhe permitir retornar a analisar os processos depois da suspeição. Ao observa, percebeu três novas Ações Civis Públicas que tratavam da compra de uma Pajero pelo deputado Antônio Albuquerque, uma L200 do ex-deputado João Beltrão e uma Casa no condomínio Aldebaran de Dudu Albuquerque.

Lima afirma que esses novos processos não têm conexão com a Operação Taturana, “Esses processos não têm conexõescom o que estou julgando. É do caso Taturana em um sentido aberto, é, mas para lei processual só existe conexão quando existe coincidência”, falou.

Ações Civis Públicas através de uma decisão informando incompetência foram distribuídas para o juiz Manoel Cavalcante da 18ª Vara da Fazenda Pública. Gustavo Lima garantiu que os processos estão em dia e devido à complexidade não foi concluído ainda.

Quatro deputados foram os responsáveis pelo o arquivamento, por um ano e meio, através de meios legais na justiça. “A demora maior do processo foi provocado por conta do julgamento do pedido de suspeição, e entre fevereiro de 2009 e junho de 2010, o processo ficou no tribunal parado. Quando chegou ao julgamento final da suspeição os deputados criaram um novo incidente para o impedimento a relatora do caso”, disse Lima.

Gustavo aproveitou para alfinetar o presidente da OAB, Omar Coelho e o Adriano Argolo do MCCE. “Agora é angustiante para quem não conhece os processos, o conteúdo da legislação que é usada para que os processos não fiquam arquivados, a quantidade de envolvidos, quem não conhece nada disso, acha que o processo pode ser resolvido em um ano, um ano e meio e não é assim”, disparou.

Antônio Albuquerque, ‘O retorno’

Perguntamos ao juiz que analisa o caso dos Taturanas, Gustavo Souza Lima se era uma afronta a Justiça, o retorno do deputado Antônio Albuquerque aos trabalhos da Mesa Diretora da Assembleia.

“Não há afronta nenhuma sobre o retorno de qualquer um dos envolvidos na operação a cargos da Mesa Diretora da Assembleia. Não existe nenhuma decisão hoje que tenha definido a responsabilidade dos envolvidos, não existe decisão judicial transitado e julgado que diga”, explicou Lima.

Todos envolvidos foram afastados através de uma Ação Cautelar promovida por Gustavo Lima,que no primeiro momento afastou todos os deputados envolvidos da Mesa Diretora, e em seguida do cargo, no ano de 2008. “Os afastamentos decretados pela Ação Cautelar foi suspenso por decisão hierarquicamente pelo senhor então Ministro da Justiça, Gilmar Mendes”, rebateu.

Por fim, o magistrado terminou a entrevista falando sobre a impunidade que segundo ele é um sonho. “ Extinguir a impunidade é uma utopia, a corrupção é um produto do ser humano. É muito bom assumir alguns cargos podendo ficar rico, desviando dinheiro, podendo fazer o que quiser, tem fórum privilegiado e não acontece nada”, concluiu.