Os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e Miriam Belchior, do Planejamento, anunciaram nesta quarta-feira (9) um corte de R$ 50 bilhões no Orçamento da União de 2011. O governo da presidente Dilma Rousseff não deverá tirar nenhum centavo dos programas sociais como o Minha Casa, Minha Vida, o Bolsa Família e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

A tesoura nos gastos do governo é mais do que o dobro do que a vista no ano passado (R$ 21,8 bilhões). Até então, esta economia havia sido a maior nos oito anos de governo Lula.

No total, o projeto do Orçamento da União previa gastos de mais de R$ 2,048 trilhões. Com a economia nas despesas, eles caem para 1,998 trilhão.

O salário mínimo ficará em R$ 545, de acordo com a proposta do governo. O número respeita a política de valorização do mínimo adotada em 2007, mas ignora as negociações com os sindicatos, que pedem algo entre R$ 560 e R$ 580.

O governo disse que, ao contrário de cortes anteriores, desta vez o dinheiro não será contingenciado. Em outras palavras, significa dizer que esse dinheiro não ficará guardado para eventuais liberações de verbas ao longo do ano.

Mantega afirmou que espera cumprir três objetivos com este corte, que chamou de “consolidação fiscal”: manter as contas públicas sob controle, reduzir a dívida do país e ajudar na queda da taxa de juros.

- Não se trata daquele ajuste fiscal que derruba a economia, que leva a uma retração do investimento. Estamos falando de uma consolidação que é justamente para garantir que o crescimento sustentável tenha continuidade.

Dentro dessa verba, os ministérios poderão utilizar R$ 719,9 bilhões em 2011. Inicialmente, a grana prevista para as pastas do governo era de R$ 769,9 bilhões.

Miriam que “todos os investimentos e programas sociais serão mantidos”.

Além disso, o governo espera alcançar crescimento de 5% no PIB (Produto Interno Bruto, soma de todas as riquezas geradas no país) deste ano. O número é menor do que o crescimento da economia brasileira em 2010, mas ainda assim é um avanço forte.

Taxa de juros

A forte procura e consumo domésticos aumentaram a inflação. O Banco Central apertou o cinto e aumentou os juros - em janeiro, o BC já elevou a Selic de 10,75% ao ano para 11,25% a fim de controlar o aumento de preços.

A expectativa das instituições financeiras é de que novos aumentos do juro serão necessários, assim como mais medidas macroprudenciais, como as anunciadas em dezembro pelo mesmo BC para frear o crescimento do crédito.

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), usado como índice de inflação oficial pelo governo, apontou avanço de 0,83% em janeiro, mesma taxa de novembro, que fora a maior desde abril de 2005.