A marcha do um milhão, que já reúne milhares de pessoas nas ruas do Egito, vem sacudindo o regime autoritário de Hosni Mubarak. Mesmo após mudanças no governo, e sob pressão da comunidade internacional, o presidente vê enfraquecer o apoio que tem do Exército. Nesta terça-feira (1º), os militares permitiram a manifestação, apesar de tiros ouvidos no Cairo. No meio dos protestos, rumores da fuga do presidente animam a multidão.
Há três décadas no poder, Mubarak teve historicamente apoio dos militares. Ex-oficial da Aeronáutica, no auge da crise ele se nomeou o comandante das Forças Armadas, o velho aliado Omar Suleiman, como vice-presidente. Mas, nesta segunda-feira (31), os militares avisaram que não iriam reprimir os manifestantes.
Muita gente protesta próximo aos tanques e algumas crianças entregam flores ao militares - sinais que mostram fragilidade no regime de Mubarak, que aos 81 anos está doente e debilitado. Rumores sobre a fuga do presidente animam os protestos, com algumas comemorações.
Ahmed En Nahas, diretor de cinema de 60 anos, gesticulava para mostrar as milhares de pessoas agrupadas na praça Tahrir (Libertação, em árabe), reduto dos manifestantes.
- Este vai ser um grande dia, o dia da liberdade. Há pouco tempo estas pessoas não teriam saído de maneira tão maciça por medo que a polícia disparasse contra elas.
Famílias se aglomeram em ambiente tenso
Perto da ponte sobre o Nilo, uma maré humana se concentra desde a manhã. Apesar do ambiente mais tenso do que nos dias anteriores, há muitas famílias no local.
Uma menina de cinco anos se diverte enquanto seu pai dança com ela nos ombros, cantando o slogan “O povo quer Mubarak fora!”.
Apesar do acesso à internet estar proibido há quatro dias, as novas tecnologias estão presentes em Tahrir, onde manifestantes enviam mensagens, tiram fotos e filmam a movimentação.
Protestos reúnem todas as classes
Na praça, há egípcios de todas as idades e origens. Há não religiosos, muçulmanos ou cristãos. O cartaz de Nader e Ihab, dois jovens da minoria copta, é um exemplo disso.
- Jesus nos dará uma vida melhor. Vai embora, Hosni, para que nos desfrutemos dela.
Antes de entrar na praça, os manifestantes tiveram de se submeter a controles de identidade por parte dos militares que vigiam os acessos a Tahrir.
As Forças Armadas continuam com uma boa imagem entre os manifestantes.
Quando um ônibus cheio de soldados tenta abrir passagem a buzinadas, a multidão grita e aplaude.
- O povo e o Exército são o mesmo braço!